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Guerra no Oriente Médio

Refugiados iranianos no Brasil temem repressão e defendem queda do regime após ataques

Refugiados iranianos no Brasil protestam na Avenida Paulista contra o regime islâmico e acompanham com apreensão os ataques ao Irã.
Refugiados iranianos no Brasil protestam na Avenida Paulista contra o regime islâmico e acompanham com apreensão os ataques ao Irã. (Foto: Pedro Fratino/Movimento contra República Islâmica)

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Refugiados iranianos que vivem no Brasil acompanham com apreensão os ataques no Oriente Médio e temem uma intensificação da repressão no Irã. Ario Narriri, refugiado há 12 anos no país, mantém contato constante com familiares e amigos desde a madrugada deste sábado (28). Dono de um restaurante em São Paulo, ele afirma que o medo se concentra nos presos políticos mantidos pelo regime da República Islâmica.

“Existe uma preocupação enorme, sobretudo com os prisioneiros do regime. Em ataques desse tipo, eles podem ser eliminados”, afirma Narriri.

O empresário deixou o Irã ao lado da esposa após perseguição política por participação em protestos contra o regime do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei. Segundo ele, as autoridades confiscaram bens e tentaram negociar o retorno do casal. “Bloquearam tudo o que tínhamos. Tentaram negociar nossa volta, mas não conversamos com um regime que tem o sangue do nosso povo nas mãos”, diz.

Neste domingo (29), Narriri e outros refugiados organizam a sétima manifestação pacífica contra o regime islâmico na Avenida Paulista, a partir das 11h. Os protestos começaram após o corte de internet e milhares de mortes de pessoas contrárias ao governo do Irã, em janeiro deste ano. Ele relata que o movimento perdeu participantes após retaliações diretas do regime.

“Membros do regime aparecem para filmar os protestos. Depois, parentes e amigos que estão no Irã sofrem represálias. Levaram a mãe de um participante e o irmão de outro. Mesmo assim, não vamos parar. Se matarem todos os jovens, quem vai reconstruir o país?”, questiona.

Refugiados iranianos no Brasil defendem que o povo do Irã decida, por eleições, qual regime deve governar o país.Refugiados iranianos no Brasil defendem que o povo do Irã decida, por eleições, qual regime deve governar o país. (Foto: Pedro Fratino/Movimento contra República Islâmica)

Povo deve escolher novo regime no Irã, afirmam refugiados e líderes políticos

Narriri afirma que a escolha do próximo regime deve caber exclusivamente ao povo iraniano. Ele se declara monarquista, mas defende um processo democrático. “Não importa o modelo. Importa que o povo escolha. Temos monarquistas, liberais e democratas no movimento. Estamos unidos pela queda da República Islâmica e pelo direito de decidir nas urnas”, afirma.

Os ataques realizados neste sábado (28) pelos Estados Unidos e por Israel reforçam essa leitura entre os opositores do regime. A ofensiva ocorre em meio ao enfraquecimento interno do governo iraniano e à contestação de sua liderança.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os bombardeios e divulgou um vídeo no qual convocou a população iraniana a assumir o controle do país. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotou discurso semelhante. O governo israelense admite que tenta atingir figuras centrais do regime, o que indica que a ofensiva também mira o núcleo do poder político no Irã.

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