As tropas sírias continuam nesta sexta-feira o cerco à cidade de Tremseh, na província de Hama, onde na quinta-feira ao menos 200 pessoas teriam sido mortas pelas forças do regime do ditador Bashar al Assad, segundo denuncias da oposição.
O ativista Abu Ghazi explicou, desde Hama, que as forças sírias ainda cercam Tremseh, mas que detiveram os bombardeios sobre a cidade, devastada e em situação humanitária de emergência.
Ghazi detalhou que o Exército cercou a cidade na madrugada de sexta com tanques e baterias antiaéreas antes de bombardeá-la, ao tempo que dispararam contra os que tentavam sair da zona.
Após o bombardeio, as forças do regime irromperam em Tremseh e enfrentaram rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS), que conseguiram abrir algumas vias para permitir que a população escapasse, assegurou o ativista.
Ghazi relatou ainda que os mísseis caíram sobre diversos edifícios, entre eles uma mesquita na qual muitas pessoas se protegiam.
A televisão estatal síria, por sua vez, culpou os "terroristas" pelas mortes e disse que as tropas sírias só entraram no local depois de receberem o pedido de ajuda dos moradores. Pelo menos três militares teriam sido mortos, segundo o governo.
Apesar dos esforços internacionais, a Síria continua imersa em um espiral de violência que deixou pelo menos 11 mil mortos, segundo a ONU, desde o início dos protestos contra Assad, em março do ano passado.
Se confirmadas as mortes, esse será o pior massacre ocorrido no país desde o início dos confrontos, em março de 2011.Em maio passado, 108 pessoas foram mortas na cidade de Houla, o que fez a comunidade internacional aumentar a pressão sobre o regime.
O Conselho Nacional Sírio pediu na quinta uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para debater uma resposta às mortes de Hama e o envio de observadores da ONU ao local.
O banho de sangue ocorreu no dia em que Moscou rechaçou mais uma vez apoiar sanções contra o regime de Assad.
Os 15 membros do Conselho de Segurança negociam o futuro da missão da ONU no país, cujo mandato expira no próximo dia 20. Enquanto a Rússia quer um prazo de mais 90 dias, Reino Unido, EUA, França e Alemanha defendem um prazo de 45 dias e a aplicação de sanções no caso de que não cesse a violência.
"Somos completamente contrários [à aplicação] do Capítulo 7 [da Carta das Nações Unidas, que autoriza as sanções]. Qualquer coisa pode ser negociada, menos isso", disse o vice-embaixador russo na ONU, Alexander Pankin.
Segundo as Nações Unidas, mais de 10 mil pessoas morreram desde o início da revolta. A oposição fala em cerca de 17 mil mortos.



