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O Reino Unido realizou um treinamento militar nas Ilhas Malvinas para simular a retomada do arquipélago em caso de uma nova invasão argentina. O exercício ocorreu no início deste mês e reuniu cerca de 150 soldados britânicos, 100 reservistas locais e durou seis dias. A operação foi revelada nesta terça-feira (13) pelo jornal britânico The Times, em meio ao agravamento das tensões entre Londres e o governo do presidente argentino Javier Milei pela soberania das ilhas.
Os militares reproduziram no treinamento parte das operações realizadas pelo Reino Unido durante a Guerra das Malvinas, em 1982. O treinamento incluiu um desembarque de tropas pelo mar, uma marcha noturna de aproximadamente 32 quilômetros e simulações de combate em diferentes pontos do arquipélago. Caças Typhoon da Força Aérea britânica também participaram dos exercícios, que receberam o nome de Cape Upholder.
Uma das etapas ocorreu na região de San Carlos, onde as tropas britânicas desembarcaram durante a guerra contra a Argentina. Os soldados também avançaram até Goose Green, local de uma das batalhas do conflito. O major Aaron Nunkoosing, responsável pela unidade, afirmou ao Times que o treinamento permitiu aos militares conhecer parte das dificuldades enfrentadas pelas forças britânicas em 1982. O oficial disse ainda que os exercícios incluíram simulações de ataques com drones e situações envolvendo guerra cibernética.
O Ministério da Defesa britânico informou ao jornal The Telegraph que a operação fazia parte dos treinamentos regulares das tropas destacadas para as Malvinas. Segundo a pasta, exercícios semelhantes são realizados a cada troca de contingente militar no arquipélago.
A divulgação do treinamento ocorre enquanto Milei intensifica a disputa com Londres pela exploração de petróleo nas águas próximas às ilhas. Nesta terça-feira, a Argentina anunciou que havia recorrido ao Tribunal Internacional do Direito do Mar para tentar impedir o avanço do projeto petrolífero Sea Lion, desenvolvido por empresas britânica e israelense. O governo argentino considera que as atividades violam seus direitos sobre a região, enquanto o Reino Unido sustenta que a exploração é legal.
Também na terça-feira, a ministra britânica Uma Kumaran afirmou no Parlamento que Londres não aceitará medidas argentinas destinadas a pressionar empresas que atuam nas ilhas. O governo britânico defende o direito dos moradores do arquipélago de permanecer sob administração do Reino Unido. Buenos Aires, por sua vez, reivindica a soberania das Malvinas, que estão sob controle britânico desde 1833.







