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Oriente Médio

Relator da ONU vê "limpeza étnica" em ocupação de Jerusalém Oriental

Richard Falk explicou que a estratégia de Israel na região, território sobre o qual israelenses e palestinos reivindicam direitos, tem o propósito de "encorajar a expansão de assentamentos israelenses ilegais"

A ocupação israelense dos territórios palestinos se assemelha a uma "anexação" e, no caso concreto de Jerusalém Oriental, a uma espécie de "limpeza étnica" pelos esforços de Israel para "modificar sua composição demográfica" em favor de seus cidadãos, disse nesta sexta-feira (21) o relator da ONU Richard Falk.

Ele ainda levanta dúvidas sobre a aceitação do governo israelense de um Estado palestino nas atuais circunstâncias. "Trata-se de um esforço sistemático e continuo para mudar a composição étnica de Jerusalém e tornar mais difícil aos palestinos manterem sua residência", disse Falk, um jurista norte-americano que está no final de um mandato de seis anos como relator especial da ONU sobre os direitos humanos nos territórios palestinos.

Em entrevista coletiva, Falk explicou que a estratégia de Israel em Jerusalém Oriental, território sobre o qual israelenses e palestinos reivindicam direitos, tem o propósito de "encorajar a expansão de assentamentos israelenses ilegais".

Mais de 11 mil palestinos "perderam seu direito de viver em Jerusalém desde 1996", disse Falk, que cita dados oficiais de Israel e explica que viver na cidade sem uma autorização de residência equivale a viver na insegurança.

A expansão dos assentamentos judaicos, em geral, é forte obstáculo nas perspectivas de uma saída política para o histórico conflito palestino-israelense, sobretudo se for levado em conta que seu ritmo se acelera, opinou Falk.

O relator afirmou que somente no ano passado, o número de assentamentos na Cisjordânia dobrou, segundo números oficiais de Israel.

Falk observa que cada vez que as negociações de paz retornam ocorre "uma intensificação da atividade [para a construção] dos assentamentos e do uso excessivo da força por parte dos corpos de segurança de Israel".

"Há uma relação inversa direta entre as negociações de paz e as realidades que a cada dia os palestinos enfrentam", acrescentou.

Falk, que durante seu mandato foi alvo de várias campanhas contrárias de instituições pró-Israel, opinou que a iniciativa para retomar as conversas de paz entre palestinos e israelenses parece ter sido um projeto pessoal do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que recebeu "um apoio mínimo" do presidente Barack Obama.

O relator sustentou que "Israel não parece cômodo com as negociações", apesar de que, enquanto elas durarem, servem para diminuir temporariamente as críticas.

Israel credita à recusa de palestinos em aceitas um Estado judeu o principal entrave para as negociações.

No entanto, o relator considerou que a questão foi relegada na agenda internacional devido à atenção dada pelas principais potências à Síria, outras partes do Oriente Médio e, mais recentemente, à crise da Ucrânia e da Crimeia.

Para Falk, a maior esperança dos palestinos é o "movimento internacional não violento", estimulado por organizações civis palestinas, que se caracteriza pelo boicote (comercial) e outras iniciativas relacionadas com sanções, que recebem muito apoio e que relembram o movimento contra o Apartheid na África do Sul.

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