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Ditadura

Tiros à queima-roupa: a violência extrema da repressão do regime contra manifestantes no Irã

Vídeo mostra sacos com corpos de manifestantes em necrotério em Teerã (Foto: HRANA/EFE)

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De acordo com ONGs internacionais, mais de 2,4 mil pessoas já foram mortas pelas autoridades de segurança do Irã na repressão aos protestos iniciados no final de dezembro em razão da crise econômica no país persa, mas cujas reivindicações agora incluem a queda do regime islâmico.

Relatos nas redes sociais e de profissionais de saúde indicam que a resposta da ditadura dos aiatolás tem sido ainda mais violenta do a que ocorreu após os protestos de 2022 e 2023, que foram motivados pelo assassinato da jovem Mahsa Amini pela chamada Polícia de Costumes, após ela ter sido presa por desrespeitar as regras de uso do hijab, o véu islâmico.

Nas redes sociais, vídeos recentes mostraram grandes fileiras de sacos com corpos em frente a um necrotério em Teerã. A emissora britânica BBC contabilizou cerca de 180 sacos para corpos nessas imagens.

Em relato ao site de notícias IranWire, compartilhado com a emissora americana CNN, um médico iraniano (que já deixou o país, mas não quis ser identificado porque familiares seus continuam no Irã) descreveu um cenário de horror no hospital onde atendeu manifestantes feridos.

“Presenciei o que chamamos de situação de ‘vítimas em massa’ na medicina. Isso ocorre quando sua capacidade e recursos para prestar serviços são insuficientes para atender a população de pacientes”, disse o profissional de saúde.

O médico relatou que ele e outros profissionais do hospital tiveram que escolher quais pacientes tentariam salvar, com base em quem tinha maior probabilidade de sobreviver até que salas de cirurgia ficassem disponíveis.

Ele também afirmou que viu sangue nas ruas perto da sua casa e que colegas contaram que várias pessoas baleadas à queima-roupa no rosto haviam sido internadas.

“Na sexta-feira [9] à noite, todos os leitos estavam ocupados”, disse o médico. “A vida está paralisada. Ninguém está bem. Nem mesmo a esperança que se espalha pelo exterior existe dentro do Irã. Todos estão presos no terror, no desamparo e com apenas um fio de esperança”, acrescentou o profissional.

Mensagens de três médicos encaminhadas ao jornal britânico The Guardian descreveram que os ferimentos a bala dos manifestantes atendidos se concentraram principalmente nos olhos e na cabeça.

“[As forças de segurança] estão atirando deliberadamente na cabeça e nos olhos. Eles querem ferir a cabeça e os olhos para que [os manifestantes] não possam mais enxergar, a mesma coisa que fizeram [nos protestos de 2022]”, disse um médico em Teerã.

O Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã, com sede nos EUA, disse que jovens também foram baleados nos genitais.

“As evidências demonstram que, mesmo ao utilizar armas ‘menos letais’, a República Islâmica visa deliberadamente órgãos vitais, transformando essas ferramentas em instrumentos de mutilação sistemática e incapacidade permanente para aterrorizar manifestantes”, afirmou um porta-voz da ONG ao Guardian.

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