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Atentados do Hamas

Reportagem coloca Netanyahu na berlinda às vésperas da eleição em Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante comício do seu partido, Likud, em Jerusalém na terça-feira (8) (Foto: ABIR SULTAN/EFE/EPA)

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Perto da eleição nacional de Israel, que será realizada em 27 de outubro e na qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu buscará permanecer no poder, uma reportagem publicada nesta terça-feira (8) causou um abalo na campanha do premiê.

Segundo o jornal progressista Haaretz, Netanyahu teria sido avisado sobre a possibilidade de grandes atentados do Hamas antes dos ataques de 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista matou 1,1 mil pessoas e sequestrou outras 251 em Israel. Porém, o premiê não teria comunicado o alto escalão de segurança do país sobre o alerta.

O Haaretz reportou que, uma semana e meia antes do massacre, Mohammed bin Zayed, presidente dos Emirados Árabes Unidos, ligou para Netanyahu e fez um alerta de que o líder do Hamas na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, estava planejando uma grande operação contra Israel.

Bin Zayed teria expressado preocupação de que o ataque não apenas levaria à perda de muitas vidas, mas também desestabilizaria todo o Oriente Médio e comprometeria os Acordos de Abraão, por meio dos quais Israel estabeleceu relações diplomáticas com vários países muçulmanos.

De acordo com o Haaretz, Netanyahu teria reagido com “relativa calma” ao alerta e depois não teria informado os chefes do establishment de defesa sobre o assunto.

Nesta quarta-feira (9), o próprio Haaretz informou que Netanyahu instruiu seus advogados a entrarem com uma ação judicial por difamação contra o jornal. Em resposta, o Haaretz afirmou que “defende o teor da sua reportagem”.

Na terça-feira, o gabinete do primeiro-ministro de Israel havia negado veementemente as informações do Haaretz.

“Os relatos da imprensa são falsos. Nenhum alerta foi transmitido ao primeiro-ministro pelos Emirados Árabes Unidos antes do 7 de Outubro. Caso houvesse alguma informação relevante, ela teria sido repassada por meio dos canais de inteligência entre os dois países”, declarou o gabinete em comunicado no X.

Segundo informações do jornal The Jerusalem Post, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes divulgou um comunicado sobre a reportagem, no qual afirmou que não comenta “especulações” a respeito de eventuais conversas entre os dois países.

“Entidades governamentais dos Emirados Árabes Unidos e de Israel mantêm canais de comunicação abertos e diretos desde o início do relacionamento, há mais de cinco anos [desde a adesão do país árabe aos Acordos de Abraão]. Quando necessário, todas as informações de inteligência relevantes foram e continuam sendo compartilhadas entre as entidades competentes”, afirmou a pasta.

Nesta terça-feira, líderes de partidos de oposição de Israel pediram a criação de uma comissão de inquérito estatal para investigar o caso.

Segundo o Haaretz, eles afirmaram em comunicado que “não há mais espaço para desculpas, negações ou ocultação de informações”.

“Por que ele [Netanyahu] não informou o establishment de defesa e por que não agiu para proteger os cidadãos israelenses?”, questionaram os líderes oposicionistas. “Netanyahu e seus parceiros no governo da época do 7 de Outubro não estão aptos a continuar nos seus cargos.”

Os ataques de 2023 levaram a uma guerra na Faixa de Gaza, que entrou em um tenso cessar-fogo depois que o Hamas, de forma irregular e ao longo de mais de dois anos, devolveu os corpos dos reféns que foram mortos e libertou os vivos, em troca da libertação de palestinos presos. Parte dos reféns foi resgatada por Israel.

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