
Bogotá - A maior guerrilha colombiana, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), teriam tido contatos com altos funcionários do governo brasileiro e do PT, segundo um artigo publicado ontem pela revista Cambio. A publicação semanal colombiana garantiu ter acesso a 85 e-mails enviados entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008, nos quais são citados contatos com membros graduados do governo do Brasil, do PT, de líderes políticos e do Judiciário.
Os e-mails teriam sido encontrados nos computadores do guerrilheiro conhecido como "Raúl Reyes", número dois da organização que morreu em um bombardeio colombiano em território equatoriano em março.
Segundo a revista, são mencionados nestes e-mails "cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial do presidente Lula, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz brasileiros". O chanceler Celso Amorim é um dos nomes citados, assim como Dirceu e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Robert Amaral. O secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, também foi mencionado, assim como o assessor especial da presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, o secretário para os direitos humanos Paulo Vanucci e a deputada Erika Kokay.
No encontro entre Lula e o presidente Álvaro Uribe de 19 e 20 de julho, na Colômbia, os dois governos já teriam debatido o assunto. "Cada governo dará andamento a essa informação (da forma que julgar conveniente) para estabelecer as investigações que se façam necessárias", disse o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez.
Uma fonte do governo brasileiro, que pediu para não ser identificada, confirmou que o governo colombiano entregou o material mas negou o teor da reportagem da Cambio. "A matéria da revista é absolutamente inconsistente, falsa e seletiva. Não há e não houve em nenhum momento contato com as Farc", disse a fonte. A fonte lembrou que historicamente houve contatos das Farc com o PT durante os congressos Foro de São Paulo, mas que há dez anos a guerrilha está fora dos encontros.



