Publicidade
Eleição presidencial

Revista inglesa diz que era do PT acabou: “Brasil é um país de direita agora”

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro, durante ato em Goiânia nesta terça-feira (6) no qual Ronaldo Caiado oficializou apoio no segundo turno (Foto: André Borges/EFE)

Ouça este conteúdo

A revista inglesa The Economist publicou nesta terça-feira (6) no seu site um editorial com o título “O Brasil é um país de direita agora” e cravou que a “era” do PT “chegou ao fim”.

O texto abordou o primeiro turno da eleição brasileira, no último domingo (4), quando Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado e passou para o segundo turno, junto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Durante a maior parte do último quarto de século, o Brasil foi dominado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Uma aliança de esquerda composta por sindicalistas, católicos progressistas e acadêmicos construiu um amplo Estado de bem-estar social e definiu a versão latino-americana da social-democracia. Essa era chegou ao fim”, afirmou o editorial.

Apesar do diagnóstico de ascensão da direita, a Economist, que tradicionalmente critica a família Bolsonaro, direcionou várias alfinetadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a Flávio.

“Os mercados de apostas atribuem a Flávio uma grande chance de vencer o segundo turno, em 25 de outubro. É um resultado surpreendente para o herdeiro de uma dinastia de direita cujo patriarca, Jair — ex-presidente —, cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe”, escreveu a revista inglesa.

A Economist afirmou que, mesmo que Flávio não vença no segundo turno, a eleição já “representa um triunfo para a direita brasileira alinhada ao movimento MAGA [sigla em inglês para Faça a América Grande Novamente, slogan do presidente dos EUA, Donald Trump] — o mais recente de uma onda de sucessos de partidos de direita na América Latina” – em referência às seguidas vitórias de aliados do mandatário americano em eleições na região.

“O PL agora detém a bancada parlamentar mais poderosa desde a promulgação da Constituição brasileira de 1988. É também o maior partido nos três estados mais populosos — São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais —, que juntos geram mais da metade do PIB brasileiro”, disse a revista.

“Essa força no Congresso confere ao PL uma oportunidade rara de sanear as finanças públicas do Brasil, que se encontram em situação precária. Reformular as leis que impõem níveis elevados e crescentes de gastos governamentais permitiria conter o endividamento, reduzir as taxas de juros e estimular investimentos, impulsionando assim o crescimento. Isso dá aos Bolsonaro a chance de criar um futuro econômico brilhante para o Brasil”, projetou a Economist.

Em seguida, porém, a revista voltou a criticar a família Bolsonaro. “Isso [corte de gastos] exigiria abrir mão de gastos no presente, algo para o que os Bolsonaro demonstram pouco interesse. O cenário mais provável é o de uma política ainda mais polarizada e de pressão sobre as vulneráveis ​​instituições democráticas do Brasil. Os vencedores celebrarão conflitos culturais ao estilo MAGA”, criticou a Economist.

“A família Bolsonaro buscará vingança. A principal promessa de campanha de Flávio foi libertar seu pai. Muitos candidatos ao Senado juraram derrubar os ministros do Supremo Tribunal Federal (alguns envolvidos em escândalos de corrupção) que processaram Jair”, afirmou a publicação.

“Os brasileiros têm bons motivos para rejeitar o PT, dadas as suas políticas fracassadas, sua corrupção e a falta de novas lideranças. No entanto, também têm todos os motivos para temer os rumos que essa rejeição pode tomar agora”, disse a Economist, encerrando o texto novamente em tom crítico sobre a direita brasileira.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.