
Nova York - Há décadas um tipo de rocha feiosa, do tamanho de uma batata e que cobre boa parte do fundo dos oceanos desperta a cobiça dos empresários da mineração. Conhecidas como nódulos de manganês, essas pedras são ricas em níquel, cobre e cobalto, entre outros componentes químicos. O problema é que elas estão depositadas a quilômetros de profundidade, na mais absoluta escuridão.
As máquinas que podem sugá-las até a superfície nunca se provaram economicamente viáveis, apesar de todos os planos e investimentos feitos na área. Recentemente, os empreendedores voltaram a se animar com a possibilidade de sucesso e talvez lucro nesse ramo da extração mineral.
Análises recentes mostram que os nódulos são compostos também dos chamados "metais de terras raras" elementos que, mesmo com uma ampla gama de aplicações comerciais e militares, enfrentam obstáculos na produção. A China, detentora de 95% da oferta mundial, bloqueou temporariamente a exportação desses minerais, o que gerou uma corrida por alternativas. O embargo chinês terminou no fim de outubro, mas a procura por outras opções de fornecimento continua. Será que esse incidente diplomático significa que os mineradores do fundo do mar tiraram a sorte grande? "Eles estão curiosos", diz James Hein, especialista em minerais oceânicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
De acordo com o geólogo, a depender do comportamento da China e das reações globais, as terras raras podem se tornar "um grande motivo" para a extração das rochas do leito do mar num futuro próximo.
No mês passado, Hein e cinco colegas alemães apresentaram um artigo que tratava da necessidade de coleta dos nódulos exatamente por causa de seus "metais raros e valiosos". A divulgação ocorreu no encontro anual do Instituto de Mineração Subaquática, um grupo de profissionais da Universidade do Havaí. O texto deu origem a especulações sobre um recomeço promissor para a mineração do fundo do mar.
"As terras raras de fato agregam valor", afirma o presidente do instituto, Charles Morgan. Como resultado, diz o cientista, os nódulos ganharam um novo "brilho". "As pessoas começaram a pensar: Talvez essas coisas não sejam tão banais", conta. No entanto, Morgan faz questão de acrescentar que a mineração marítima tem uma trajetória cheia de altos e baixos. "As novas evidências têm de fato o poder de viabilizar a atividade. Mas ela ainda é incerta."
Interesse recente
A existência de terras raras em rochas do fundo do oceano não é uma novidade, mas os cientistas costumavam tratar o assunto como mera curiosidade. Em 1968, por exemplo, Alan Ehrlich, um químico do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), escreveu uma tese de doutorado intitulada "Abundância de Terras Raras em Nódulos de Manganês". Em entrevista recente, o cientista se mostrou surpreso com o atual interesse. Para ele, a concentração dos tais minerais nos nódulos é muito baixa para justificar um renascimento dessa extração.
As mineradoras em potencial concordam mas, ao mesmo tempo, afirmam que a alta na cotação dos metais comuns, também encontrados nas rochas oceânicas, aumenta o apelo pela empreitada. Dessa maneira, os investidores enxergam a presença dos elementos exóticos apenas como "a cereja do bolo" num mercado promissor e pouco explorado.
"Neste momento, as terras raras não justificam o esforço. Mas o preço do cobre e do níquel pode motivar a exploração", diz Hein. Para o geólogo, a redução gradativa das reservas terrestres de cobre (ingrediente-chave da industrialização, usado em quase tudo de cabos e interruptores a tubulações e telhados) obriga a exploração de minas cujas rochas têm uma concentração muito pequena do metal.
Por exemplo, a mina chilena onde 33 trabalhadores ficaram presos por mais de dois meses, apresenta rochas cuja concentração de cobre é de apenas 0,5%. "Os nódulos marítimos têm o dobro, 1%", explica Hein. O resultado é uma nova onda de interesse global em sugar os nódulos do fundo do mar com terras raras e tudo o mais. "A mineração subaquática está se aquecendo. Os executivos industriais voltaram a prestar atenção na atividade", conclui Morgan.



