
A Romênia conta com os salários mais baixos de toda a União Europeia (UE), o que, de um lado, beneficia as empresas pelo custo baixo de mão-de-obra, mas, de outro, complica a vida de milhões de cidadãos, que vivem com poucos euros por mês. Segundo o escritório de Estatística da UE (Eurostat), 3 milhões dos 18,5 milhões de habitantes da Romênia contam com uma renda mensal inferior a 100 euros.
De acordo com um estudo publicado pelo Eurostat, em 2011, dois terços da população romena se dedicaram a trabalhos que carecem de uma qualificação específica, o que contribui para a redução dos valores pagos aos trabalhadores. A economia informal é muito comum no país e estima-se que pode equivaler à metade do Produto Interno Bruto (PIB).
Os trabalhadores qualificados são 23,1% no país. Esse porcentual é baixo quando comparado com a média europeia, que é de 39,1%. A título de comparação, a Alemanha e a França, que encabeçam a lista dos países maior porcentual de mão de obra qualificada, possuem índices de 44% e 43%, respectivamente.
A Romênia conta hoje com o salário mínimo mais baixo da UE, com apenas 158 euros, empatado com a vizinha Bulgária. Perante a pressão de ser o país com os salários mais baixos da UE, o novo primeiro-ministro, o social-democrata Victor Ponta, disse que vai propor ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um aumento do salário mínimo para 181 euros. Há cerca de quatro anos, uma equipe de analistas do FMI foi a Bucareste para analisar as condições de outro empréstimo preventivo que evite um colapso das finanças públicas do país. A Romênia selou em 2009 um acordo para uma ajuda de 20 bilhões de euros, o que obrigou o Executivo a reduzir os salários do setor público em 25% e aumentar o IVA de 19% a 24%.
Saudosismo
A Romênia é um país membro da União Europeia desde 2007 e está sob uma economia de livre mercado feroz, que provocou a nostalgia de muitos pela época comunista. Sessenta por cento da população romena afirma que vivia melhor sob o comunismo no ponto de vista econômico, segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa dos Crimes do Comunismo (IICCMER) realizada em maio de 2011.
Trata-se de uma lembrança de um passado no qual todos eram pobres, embora o Estado fornecesse ao menos os serviços básicos. "No comunismo, alguns se permitiam curtir as férias nas praias do Mar Negro. Agora nem para isso podemos economizar, mas temos que continuar aceitando os pacotes de comida que nossos pais enviam", diz a jovem economista Andrea Petrescu, de 25 anos.
Ela é formada pela Universidade de Economia de Bucareste e trabalha para um banco austríaco na capital romena, após passar mais de meio ano como recepcionista em uma clínica particular. Seu salário mensal chega a 294 euros, o que é muito pouco em um lugar em que os preços dos serviços básicos e dos alimentos tem custo semelhante ao do resto da Europa. "As entidades financeiras empregam cada vez menos pessoas e a crise da dívida da zona do euro castiga a Romênia", lamenta Andrea.



