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A Rússia tomará medidas técnico-militares em resposta à militarização da Groenlândia, alertou nesta quarta-feira (11) o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.
"É claro que, se a Groenlândia for militarizada e capacidades militares forem criadas lá, direcionadas contra a Rússia, tomaremos as contramedidas apropriadas, incluindo as técnico-militares", disse ao Parlamento.
Lavrov acrescentou que Moscou opera sob a premissa de que a questão da Groenlândia "não diz respeito diretamente" à Rússia.
"Os EUA, a Dinamarca e a Groenlândia devem resolver isso entre si, levando em consideração, é claro, a opinião dos moradores da maior ilha, que o governo de Copenhague tem tratado com bastante severidade por muitos anos e décadas", afirmou.
A posição russa, enfatizou, é que "o Ártico deve permanecer uma zona de paz e cooperação".
Autoridades russas de alto escalão têm se abstido até agora de criticar abertamente a potencial anexação da Groenlândia e até questionaram se a ilha faz parte da Dinamarca, na esperança de que Washington reconheça os ganhos territoriais russos na Ucrânia.
O ditador russo, Vladimir Putin, já se manifestou sobre o assunto, considerando que os planos da atual administração de Donald Trump de "anexar" a Groenlândia não eram "uma ideia maluca", mas tinham "raízes históricas".
Ao mesmo tempo, a Rússia se opôs categoricamente à militarização da ilha ártica e renovou essa posição nesta quarta-feira.
Países se mobilizam para marcar presença na Groenlândia
Neste mês, a França inaugurou oficialmente seu consulado em Nuuk, o primeiro de um país da União Europeia (UE) na Groenlândia, com o objetivo de reformar os laços bilaterais e respeitar a integridade territorial da Dinamarca diante das ambições dos EUA de assumir o controle da ilha ártica.
Nesta terça, o presidente Emmanuel Macron, que tem mantido alguns atritos com Trump em reação aos interesses do americano na ilha ártica, disse que Washington tem uma postura “antieuropeia” e deve tomar mais medidas contra a UE no futuro.
O francês ressaltou que a abertura da legação representa um "sinal político" de apoio à soberania dinamarquesa e à cooperação europeia no Ártico.
O Canadá também abriu seu primeiro consulado em Nuuk, a capital da Groenlândia, nos últimos dias. A decisão surgiu em dezembro de 2024 (um mês antes de Trump assumir a presidência), mas a cerimônia precisou ser adiada devido a más condições climáticas na data prevista. O país também acumula atritos com Trump em relação a acordos comerciais e divergências políticas.




