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START III

Rússia faz alerta sobre expiração do acordo de armas nucleares: “mundo ficará mais perigoso”

Vladimir Putin
O ditador da Rússia, Vladimir Putin: Kremlin adverte EUA sobre fim de acordo nuclear (Foto: Alexander Kazakov / Kremlin / EFE)

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A Rússia advertiu nesta terça-feira (3) os EUA que o mundo será "mais perigoso" quando o START III, o último tratado de desarmamento nuclear ainda em vigor entre as duas potências, expirar - o que está previsto para ocorrer em dois dias, em 5 de fevereiro.

"Literalmente, dentro de pouco tempo o mundo estará, certamente, em uma situação mais perigosa em comparação com o que havia até agora", disse o porta-voz do Kremlin russo, Dmitry Peskov, em sua entrevista coletiva diária.

Peskov lembrou que "sobre a mesa ainda segue a iniciativa russa", apresentada em setembro de 2025 pelo ditador Vladimir Putin, sobre uma prorrogação por um ano dos limites contemplados pelo tratado.

"Continuamos sem receber resposta dos americanos a esta iniciativa", apontou.

O porta-voz ressaltou que a ausência de um documento que limite o armamento ofensivo de ambas as potências e controle seus arsenais é "muito ruim para a segurança em todo o mundo, para a segurança estratégica".

Quanto à intenção da Casa Branca de que a China faça parte de um futuro tratado de desarmamento estratégico, Peskov recordou que Pequim se opõe à ideia e reiterou que, por sua vez, Moscou quer que dois aliados dos EUA também figurem no acordo: França e Reino Unido.

Rússia preparada para um mundo de arsenais nucleares ilimitados

Na mesma linha, o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergey Ryabkov, afirmou que a Rússia está preparada para um mundo sem limites para os arsenais nucleares, embora tenha admitido que "o fato é que estamos perdendo elementos estabilizadores da ordem anterior".

"Este é um momento novo, uma nova realidade. Estamos preparados para isso. Calculávamos, supúnhamos que isso poderia ocorrer. Não há nada extraordinário e também não vemos motivos para criar algum tipo de drama", assinalou Ryabkov durante uma viagem à China.

Além disso, descartou que a Rússia vá apresentar "algum tipo de protesto ou realizar uma declaração" devido à negativa dos EUA em responder à proposta de Putin.

"Eles tiveram muito tempo para pensar. A ausência de uma resposta também é uma resposta", disse.

A partir de agora, segundo destacou, a Rússia desenhará uma nova política que estará centrada, "nem mais nem menos, na necessidade de garantir de maneira confiável a segurança" de Moscou.

O Kremlin advertiu o presidente dos EUA, Donald Trump, que assinar um novo tratado de desarmamento nuclear será um processo "longo e difícil", em referência à postura expressada por Trump em sua recente entrevista ao The New York Times: "Se o documento expirar? Faremos um novo, que será ainda melhor".

Devido ao apoio militar dos EUA à Ucrânia, a Rússia suspendeu a aplicação do tratado em 21 de fevereiro de 2023, embora não tenha chegado a denunciá-lo formalmente. Desde então, especialistas ocidentais não puderam inspecionar as instalações russas.

O tratado limita o número de armas nucleares estratégicas a um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos para cada uma das duas potências, em terra, mar ou ar. 

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