Moscou (AE/AP) A Marinha russa trabalhava na madrugada de hoje (noite de sexta-feira no Brasil) para tentar resgatar um minissubmarino AS-28 preso nas profundezas do Oceano Pacífico com sete marinheiros a bordo, enquanto a Grã-Bretanha e os Estados Unidos enviavam embarcações de resgate antes que os tripulantes fiquem sem oxigênio.
Nove navios da frota russa trabalham contra o tempo para resgatar a embarcação imobilizada desde quinta-feira, a 190 metros de profundidade, na Baía de Kamchatka. O acidente lembra a tragédia ocorrida há quase cinco anos com outro submarino russo, o Kursk, em que 118 tripulantes morreram (veja quadro abaixo). O acidente trouxe uma enorme dor de cabeça ao presidente russo, Vladimir Putin. Eleito quatro meses antes, ele estava em férias no Mar Negro e só retornou a Moscou dias depois, sob severas críticas da população e até mesmo do ex-presidente soviético, Mikhail Gorbachev. Desta vez, Putin acompanha de perto a tentativa de resgate.
Oxigênio
A informações sobre a duração do oxigênio estão desencontradas. As estimativas iniciais indicavam que ele duraria até as primeiras horas de domingo (horário local), mas o o comandante-em-chefe da frota, almirante Viktor Fyodorov, considera que é preciso resgatar os tripulantes até o fim da tarde de hoje. De acordo com a Marinha, apenas três pessoas podem ocupar a embarcação, e o esgotamento do oxigênio que deveria durar cinco dias fica agravado pelo número muito superior de tripulantes.
Fyodorov diz que sua equipe já conseguiu prender o submarino com um cabo, o que ajudará no resgate da tripulação. "A essa hora, os cabos de reboque estão presos e nossos navios cumprem ao mesmo tempo a ação de suspender e rebocar o submarino do fundo do mar". Segundo o almirante, o minissubmarino já foi arrastado cerca de um quilômetros, para águas mais rasas.
A hélice da embarcação se enroscou nos cabos de uma rede de pesca de um barco japonês durante um exercício militar. Mais de 30 horas depois do acidente, a Marinha russa desistiu de tentar cortar os cabos e a rede por causa da profundidade.
Fyodorov disse que esperava levar o AS-28 a um local onde mergulhadores poderiam alcançá-lo em oito horas. A uma profundidade de 190 metros um mergulhador seria exposto a uma pressão atmosférica 19 vezes maior que a normal e necessitariam permanecer por um longo período em uma câmara de descompressão para evitar a embolia, potencialmente fatal.
A Grã-Bretanha está enviando ao local um sofisticado veículo de resgate Scorpio, capaz de submergir a 925 metros de profundidade. Os EUA também enviaram de avião dois submergíveis acionados por controle-remoto.



