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Para entender

Rússia transforma drones iranianos em armas mais letais para atacar a Ucrânia

Drones Geran são exibidos no desfile militar do Dia da Vitória, em Moscou, em maio de 2025 (Foto: MAXIM SHIPENKOV/EFE/EPA)

As forças russas estão acelerando a modernização tecnológica na guerra contra a Ucrânia ao modificar profundamente os drones iranianos Shahed. Através de um processo de inovação ágil em fábricas como as de Alabuga e Izhevsk, os equipamentos originais ganham novos motores, ogivas mais potentes e sistemas eletrônicos avançados, transformando munições simples em aeronaves remotamente pilotadas.

Quais são as principais mudanças técnicas feitas nos drones pela Rússia?

Os engenheiros russos transformaram os drones Shahed, agora rebatizados de Geran, em armas muito mais complexas. Eles aumentaram o número de elementos nas antenas para superar bloqueios de sinal e instalaram componentes comerciais modernos, como cartões SIM de celular e câmeras de alta definição. Essas modificações permitem que o drone deixe de ser apenas um projétil com rota fixa e se torne uma aeronave de ataque pilotada remotamente em tempo real. Além disso, a Rússia introduziu motores a jato chineses que dobram a velocidade do voo, alcançando mais de 480 km/h.

Como a produção russa consegue inovar de forma tão acelerada?

A agilidade russa deve-se a um modelo de produção menos burocrático e altamente experimental, focado em duas instalações principais. Enquanto a fábrica de Izhevsk prioriza a qualidade do acabamento, a unidade de Alabuga funciona como um laboratório rápido. Lá, adaptações improvisadas com itens simples, como modems presos com fita adesiva, são testadas diretamente no campo de batalha. Se a solução funciona nos ataques contra a Ucrânia, ela é imediatamente incorporada à linha de montagem padrão, permitindo atualizações em semanas, algo que levaria anos em tempos de paz.

De que maneira o poder de destruição dessas armas foi ampliado?

O poder de fogo dos drones aumentou significativamente com a substituição da ogiva original iraniana de 53,5 kg por modelos russos muito mais destrutivos. Na unidade de Alabuga, foram desenvolvidas ogivas de quase 90 kg que combinam fragmentação, alto poder explosivo e capacidade incendiária. Já em Izhevsk, os engenheiros adotaram uma técnica curiosa de posicionar duas ogivas BST-52 opostas na fuselagem, resultando em uma carga útil superior a 100 kg. Além disso, os drones maiores agora servem como 'naves-mães', sendo capazes de carregar e lançar pequenos drones adicionais.

Por que essa evolução tecnológica representa um alerta para o Ocidente?

Analistas militares alertam que a capacidade russa de aprender com o campo de batalha e aplicar melhorias imediatas cria um desequilíbrio perigoso. Diferente das nações ocidentais, que seguem longos processos de certificação e desenvolvimento de armamentos, a Rússia aceita o caráter experimental de suas unidades operacionais. Isso significa que, em um eventual cenário de ampliação do conflito, outros países enfrentariam tecnologias que já foram aperfeiçoadas sob fogo real, um nível de prontidão e evolução técnica que democracias em tempos de paz dificilmente conseguem acompanhar.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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