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Iraque

Saddam é condenado à forca pelo massacre de 148 xiitas

Bagdá – Furioso, trêmulo e desafiante, brandindo um exemplar do Alcorão, o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foi notificado ontem de sua sentença: condenação à morte por enforcamento pelo massacre de 148 xiitas em Dujail, no sul do Iraque, em retaliação a uma tentativa de assassiná-lo, em 1982.

Aos gritos de "Deus é grande", "morte aos traidores" e "longa vida ao povo iraquiano", Saddam, de 69 anos, recusava-se a pôr-se de pé para ouvir a sentença e teve de ser forçado a levantar-se por dois agentes judiciários.

O juiz, Rauf Rashid Abdul Rahman, foi obrigado a erguer a voz para que ela se sobrepusesse aos berros do réu. "A corte decidiu sentenciar Saddam Hussein al-Majid a ser enforcado até a morte por crimes contra a humanidade", anunciou Abdul Rahman, enquanto Saddam praguejava contra os agentes que o mantinham de pé. "Não me torçam os braços! Traidores!", gritava.

A sentença dividiu o país. Xiitas festejaram a decisão nas ruas, apesar do toque de recolher decretado na véspera em algumas cidades, enquanto alguns grupos sunitas protestaram.

Pelo estatuto do tribunal especial iraquiano – em relação ao qual pairam dúvidas sobre sua parcialidade –, a defesa de Saddam deve entrar com um pedido de apelação a partir de hoje. O julgamento do recurso pode demorar semanas ou meses. A partir da data em que a sentença for confirmada, ela será executada no prazo do 30 dias.

Antes do anúncio do veredicto, o tribunal rejeitou um pedido de Saddam para que fosse executado por um pelotão de fuzilamento, em vez da forca. Após a provável confirmação da pena, o enforcamento de Saddam ocorrerá numa sessão reservada, possivelmente no ano que vem, no interior da prisão de Camp Cropper, perto do Aeroporto de Bagdá – onde está recluso, sob a guarda de soldados americanos, junto com outros sete colaboradores que também foram sentenciados ontem pelo caso do massacre em Dujail.

Dois deles, o meio-irmão de Saddam e ex-chefe de inteligência Barzan al-Tikriti e o ex-juiz Awad al-Bander, também foram sentenciados a morrer na forca pelo assassinato, tortura e deportação forçada de centenas de xiitas em Dujail. O ex-vice-presidente Taha Yassin Ramadan foi condenado à prisão perpétua. A exemplo de Saddam, os três gritaram impropérios contra o tribunal durante a leitura da sentença.

Outros três réus – líderes locais do Partido Baath, base de apoio da ditadura de Saddam –, receberam penas de 15 anos de prisão. O oitavo réu, o baathista Mohammed Azawi Ali, foi inocentado por falta de provas. Esses quatro réus ouviram suas sentenças sem esboçar nenhuma manifestação.

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