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Ex-secretário de Comércio Interno havia implementado programa de controle de preços que, como esperado, não deu certo: inflação no país é a maior em 30 anos
Ex-secretário de Comércio Interno havia implementado programa de controle de preços que, como esperado, não deu certo: inflação no país é a maior em 30 anos| Foto: EFE/Juan Ignacio Roncoroni

O secretário de Comércio Interno da Argentina, Roberto Feletti, renunciou nesta segunda-feira (23) ao cargo, aumentando a crise no seio do governo de Alberto Fernández.

“Apresentei minha renúncia ao cargo de secretário de Comércio Interno. Agradeço ao presidente Alberto Fernández pela confiança e aos ministros Matías Kulfas e Martín Guzmán pelo tratamento sempre profissional e respeitoso”, anunciou Feletti em sua conta no Twitter.

Feletti, funcionário próximo da vice-presidente argentina, Cristina Kirchner, acompanhou sua mensagem com uma cópia da carta de demissão “indeclinável” que apresentou.

O secretário tomou esta decisão depois que Alberto Fernández decidiu na sexta-feira passada que a Secretaria de Comércio Interno passaria da órbita do Ministério do Desenvolvimento Produtivo para a do Ministério da Economia, sob as ordens de Martín Guzmán, ministro cuja política econômica é contestada publicamente por Cristina e pelo setor político que a ex-presidente lidera na coalizão governista Frente de Todos.

Em sua carta, Feletti, que ocupava o cargo desde outubro de 2021, destacou que a transferência da Secretaria de Comércio Interno para o Ministério da Economia “abre uma nova etapa, na qual este último assumirá a política econômica de forma integral, incorporando a política de preços em sua órbita”.

“Nesse sentido, considero que a atitude mais razoável e profissional da minha parte é facilitar ao ministro Martín Guzmán a liberdade de selecionar funcionários que compartilham o curso definido e o programa estabelecido”, disse Feletti.

Na Secretaria de Comércio Interno, Feletti havia se concentrado em fechar acordos de preços com empresas de diversos setores em um contexto de inflação muito alta e acelerada na Argentina, que chegou a 58% em abril na comparação com o ano passado, a maior em 30 anos.

No entanto, Feletti alegou em sua carta nesta segunda-feira que essas ferramentas de controle de preços se tornaram “insuficientes” desde o início da guerra na Ucrânia e o consequente impacto nos preços internacionais dos alimentos.

Nesse sentido, argumentou que a situação atual exige o desenvolvimento de novos instrumentos, principalmente em relação à necessidade de dissociar o preço internacional dos alimentos dos valores locais.

Para tanto, o agora ex-secretário tem defendido o aumento das tarifas de exportação de grãos e derivados como forma de conseguir essa dissociação, mas a medida é rechaçada pelo setor agropecuário e pela oposição e o próprio Alberto Fernández disse que só pode ser tomada com a aprovação do Congresso.

Em sua carta, Feletti declarou também que “é urgente implementar uma maior coordenação do gabinete econômico” e reconheceu discordâncias com Guzmán e com Kulfas, também questionado por setores kirchneristas.

“Existem discordâncias sobre o caminho traçado e sobre as ferramentas econômicas selecionadas que hoje me levam a tomar essa decisão”, alegou.

Segundo fontes oficiais, Feletti será substituído pelo economista Guillermo Hang, até agora diretor do Banco Central da Argentina e considerado um homem próximo ao ministro da Economia.

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