O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e seu primeiro-ministro, François Fillon, anunciaram nesta terça-feira (19) a composição do novo governo, levemente modificado após as eleições legislativas de domingo.
As principais novidades foram a transferência de Jean Louis Borloo da pasta da Economia para a da Ecologia. Para a vaga de Borloo, Christine Lagarde foi nomeada.
Borloo será o nº 2 do Executivo, em substituição a Alain Juppé, que não conseguiu ser eleito deputado no domingo. O premiê Fillon havia estipulado que qualquer ministro que não obtivesse a vitória nas urnas deveria pedir demissão.
Ele torna-se uma espécie de vice-premiê, apesar de ter sido culpado por alguns membros do governo de centro-direita pelo resultado abaixo do esperado na eleição do fim de semana. Isto porque ele havia comentado que o governo estudava criar uma taxa que poderia aumentar o imposto sobre o consumo. O fato foi usado pela oposição durante as eleições.
Para o ministério da Economia e Finanças foi nomeada Christine Lagarde, primeira mulher a comandar esta área, que estava na pasta da Agricultura, que agora será comandada por Michel Barnier, que foi ministro das Relações Exteriores durante a presidência de Jacques Chirac.
A ministra da Defesa, Michele Alliot-Marie, permanece no mesmo cargo e continua sendo a número 3 do governo.
Nos demais ministérios não foram feitas mudanças em relação à composição do gabinete de Fillon formado após a vitória de Sarkozy nas urnas, em 6 de maio.
O Executivo incluirá novos secretários, vários deles de esquerda, devido ao desejo de Sarkozy de incluir figuras de diversas tendências políticas no governo.
Fadela Amara, fundadora da associação de defesa das mulheres "Nem prostitutas nem submissas", foi nomeada secretária de Estado para a Política Municipal.
O senador e prefeito socialista Jean Marie Bockel é o novo secretário de Estado para a Cooperação e Francofonia. O técnico da seleção francesa de rúgbi, Bernard Laporte, assumirá a secretaria de Esportes.
No total, o novo gabinete conta, além de Fillon, com 15 ministros, sendo sete mulheres, e 16 secretários, quatro deles mulheres.
A UMP, o grande partido de direita de Sarkozy, conseguiu a maioria absoluta de deputados nas legislativas, mas a vitória nas urnas foi menor do que o esperado e Sarkozy terá que governar frente a uma forte oposição socialista.
Em anúncio que surpreendeu, Sarkozy também nomeou Bernard Laporte, técnico da seleção nacional de rúgbi da França, como secretário de Esportes, cargo que assumirá depois da Copa do Mundo de Rúgbi, no segundo semestre.
O partido de Sarkozy, o UMP, e seus aliados obtiveram maioria de 345 cadeiras na Assembléia Nacional, de 577 membros, mas o resultado ficou abaixo das previsões de até 470 assentos. MinistraA nomeação de Lagarde coloca uma figura respeitada em um dos cargos mais importantes do gabinete e ressalta a promessa de Sarkozy de formar um governo com igualdade entre homens e mulheres.
Lagarde, que defendeu os subsídios agrícolas franceses no governo anterior, foi a primeira mulher no conselho executivo da empresa internacional de direito Baker & McKenzie e chegou a seu comando.
Especialista em emprego e antitruste, além de ex-campeã de nado sincronizado, Lagarde fala inglês fluentemente e representa a recente tradição de nomear políticos não-profissionais para o cargo.



