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Artigo no exterior

Sem citar EUA, Lula ataca o “unilateralismo” ao defender acordo Mercosul-UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou artigo em jornal argentina nesta sexta-feira (16), véspera da assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em um artigo publicado nesta sexta-feira (16) no jornal argentino La Nacion que o acordo de livre comércio entre o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia (UE) é "a resposta" para lidar com o "unilateralismo que isola os mercados e o protecionismo que sufoca o crescimento global", críticas que podem ser associadas aos EUA.

O texto foi publicado na véspera da assinatura do acordo entre ambos os blocos econômicos, que ocorrerá em Assunção, neste sábado (17), encerrando um processo de 26 anos de negociações.

"Em uma época em que o unilateralismo isola os mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e defendem o multilateralismo escolhem um caminho diferente", diz o petista no artigo.

Em seguida, ele defendeu que o acordo contraria a lógica das guerras comerciais que, de acordo com ele, segregam as economias, empobrecem as nações e exacerbam a desigualdade.

Na mesma linha, Lula continuou: "Não existe uma economia isolada. O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Todos buscam crescer, e esta nova parceria gerará oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico".

A publicação deste texto em um dos jornais mais importantes da Argentina ocorre em paralelo ao anúncio de que o presidente não estará presente na cerimônia, da qual participarão seu homólogo argentino, Javier Milei (com quem mantém marcadas diferenças discursivas e políticas), o anfitrião Santiago Peña; Yamandú Orsi, do Uruguai; José Raúl Mulino, do Panamá; e Rodrigo Paz, da Bolívia.

"A assinatura deste acordo só é possível porque o Mercosul e a União Europeia compreenderam que juntos tinham muito mais a ganhar do que separados e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade. Apesar de visões distintas, os blocos encontraram pontos de convergência, demonstrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito", segue o texto de Lula.

Em outra referência ao atual cenário geopolítico, Lula propôs: "Em um contexto de crescente protecionismo e unilateralismo, este acordo demonstra que é possível uma governança mundial mais ativa, representativa, inclusiva e justa. Estes mesmos princípios guiam nossa busca por instituições multilaterais renovadas, como a reforma da Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança da ONU".

"A interdependência é uma necessidade e uma realidade. Somente o trabalho conjunto entre Estados e blocos pode promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar os piores efeitos da mudança climática", comentou ainda o presidente ao final do artigo publicado no La Nacion.

Apesar da ausência de Lula em Assunção, o Brasil - maior potência econômica da América Latina e que liderou as negociações com a UE - defende o acordo, que criará a maior zona de livre comércio do mundo por população, com 720 milhões de pessoas e um peso econômico de US$ 22 trilhões.

Além disso, um dia antes da assinatura, Lula marcou um encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, para discutir os próximos passos do acordo comercial, entre outros temas da agenda internacional.

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