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América do Sul

Senado do Paraguai rejeita a Venezuela no Mercosul

Ex-presidente Fernando Lugo, destituído do cargo pelo Congresso, entra com novo recurso no Tribunal Constitucional

Chávez participa das comemorações do 201º aniversário da independência da Venezuela | Palácio de Miraflores/Reuters
Chávez participa das comemorações do 201º aniversário da independência da Venezuela (Foto: Palácio de Miraflores/Reuters)

O Senado do Paraguai rejeitou ontem todas as resoluções adotadas na última cúpula do Mercosul, que aprovou a suspensão do país até 2013 e a adesão iminente da Venezuela ao bloco.

Na declaração, os senadores consideraram que "a decisão de suspender o Paraguai do Mercosul [do qual é membro fundador] é ilegal, ilegítima e violadora do devido processo legal". Além disso, rejeitaram a incorporação da Venezuela como membro pleno do bloco sem contar com a unanimidade de todos os Estados membros.

Essa postura surge no mes­­mo dia em que a Câma­­ra dos­­ Deputados paraguaia­­ apro­­vou um pedido ao governo­­ para ter acesso às cópias do Protocolo de Ushuaia II e aos documentos que credenciam a entrada da Venezuela ao Mercosul com o objetivo de rechaçá-los. Protocolo de Ushuaia II­­ é como se conhece o Pro­­to­­colo de Montevidéu sobre­­ Compromisso com a De­­mo­­cracia no Mercosul, que foi aprovado pelos governos­­ do bloco em 20 de dezembro de 2011, mas que segue­­ pendente de análise no Par­­lamento paraguaio. O texto prevê intervenção externa caso uma democracia do Mercosul esteja em perigo.

"Ameaças"

No final da tarde, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que ordenou a retirada do pessoal militar destinado à embaixada de seu país no Paraguai, ao denunciar ameaças "até de morte" contra a legação que, segundo ele, acusam de estar preparando um golpe de Estado em Assunção.

"Há ameaças até de morte, ameaças contra nossa gente na embaixada, acusando a embaixada venezuelana de estar preparando um golpe", declarou o chefe de Estado.

Aliado de Chávez, o ex-pre­­sidente paraguaio Fer­­nando Lugo apresentou um novo recurso de inconstitucionalidade para obter a declaração de nulidade do "julgamento político" que levou a sua destituição. "É uma ação que classifica como inconstitucional a decisão do Senado que destituiu o presidente da República", disse Adolfo Ferreiro, um dos advogados do líder.

Ferreiro denunciou que no julgamento de Lugo aconteceu uma "grave violação das garantias constitucionais" e que o processo careceu de "regras do processo adequado e da defesa".

No dia 25 de junho, o Tri­­bunal Constitucional já havia recusado o primeiro recurso de Lugo contra o regulamento do Legislativo que fixou os horários das sessões do "julgamento político", concluído em apenas um dia.

Devido ao processo, o réu foi destituído do cargo em 22 de junho ao ser declarado culpado por "mau desempenho" de suas funções e, poucas horas depois, foi substituído por seu então vice-presidente, Federico Franco.

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