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Crise diplomática

Senador boliviano asilado foge para o Brasil sem permissão

Roger Pinto Molina vivia há mais de um ano na embaixada em La Paz e não tinha salvo conduto para deixar aquele país. Político viajou em carro da embaixada do Brasil até Corumbá

Para Ricardo Ferraço, Molina (foto acima) é “refugiado” e não “foragido” | Efe
Para Ricardo Ferraço, Molina (foto acima) é “refugiado” e não “foragido” (Foto: Efe)

Depois de passar mais de um ano asilado na embaixada brasileira em La Paz, o senador boliviano Roger Pinto Molina chegou a Brasília no sábado, dia 24, mesmo sem ter salvo conduto do governo da Bolívia para deixar aquele país. E de acordo com o pre­sidente da Comissão de Relações Exteriores do Se­nado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Molina viajou até Corumbá (MS) em carro da embaixada do Brasil. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que irá abrir inquérito sobre o ingresso do político em território brasileiro e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis. O governo boliviano se mostrou surpreso com a fuga e vai acionar a Interpol sobre o caso.

"Devo agradecer a todo o Brasil e a todas as autoridades. Mas em um momento oportuno, uma vez que conheça a decisão das autoridades, poderei me pronunciar. Vou esperar mais", afirmou Molina em português à GloboNews ao chegar ao país.

Depois de afirmar que o fato poderia afetar as relações internacionais entre os dois países, o governo boliviano voltou atrás. Mesmo assim, o senador agora é considerado um fugitivo da Justiça para a Bolívia.

"A fuga do senador não afeta nem afetará as relações bilaterais com o Brasil, que se mantêm em absoluta cordialidade e respeito", disse ontem a ministra de Comunicação da Bolívia, Amanda Dávila.

Mais cedo, o ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, já havia dito que era preciso ser prudente com o caso.

"Não temos de exagerar. Precisamos ser muito prudentes com o Brasil porque é o Roger Pinto no meio de uma dinâmica comercial de US$ 2 ou 3 bilhões", afirmou Quintana. "O presidente obviamente está surpreso, assim como nosso vice-presidente [Álvaro García] ou qualquer um de nossos ministros."

Asilo

Segundo Ricardo Ferraço, o estado de saúde do político estava se deteriorando. Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Molina é "refugiado" e não "foragido". Ele deve ficar hospedado na casa de Ferraço.

"Ele estava há 455 dias sem tomar sol, sem visita, em uma situação deprimente, sub-humana", afirmou o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

"Ele não é foragido. Ele foi recepcionado em Corumbá, adotou todos os procedimentos. O governo brasileiro já tinha concedido asilo político antes do salvo conduto. Ele está acolhido no Brasil como refugiado, como perseguido político."

Ainda de acordo com Ferraço, Molina foi escoltado, no trajeto até Corumbá, por dois fuzileiros navais brasileiros e foi acompanhado por um diplomata da embaixada do Brasil. Em Mato Grosso do Sul, o senador boliviano foi recebido por agentes da Polícia Federal e embarcou para Brasília em um avião de um empresário capixaba.

"Eu recebi uma ligação em Vitória pedindo ajuda para transportá-lo para Brasília. Não consegui falar com nenhuma autoridade, então liguei para um empresário que conheço e ele disponibilizou o avião. Eu não podia me omitir", disse.

O Itamaraty reagiu. Em nota, o ministério informou que irá abrir inquérito sobre o caso. "O ministério está reunindo elementos acerca das circunstâncias em que se verificou a saída do senador boliviano da embaixada brasileira e de sua entrada em território nacional. (...) O Ministério das Relações Exteriores abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis."

Molina, 52 anos, é líder da oposição no Congresso boliviano. Ele foi condenado a um ano de prisão na Bolívia, por suposto envolvimento em corrupção. Em junho, dez dias depois de se abrigar na embaixada brasileira em La Paz, o governo brasileiro concedeu asilo ao senador, que se diz vítima de perseguição política do governo boliviano.

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