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Rand Paul, senador do Partido Republicano que representa o estado do Kentucky na câmara alta do Legislativo americano, se tornou o novo ídolo da direita brasileira na semana passada, ao divulgar trechos do diário de Anthony Fauci, que coordenou a resposta do governo dos Estados Unidos à Covid-19, e depois pressioná-lo durante uma audiência sobre as origens da pandemia e as ações do médico durante esse período.
Fauci invocou seu direito à Quinta Emenda da Constituição americana, que protege contra a autoincriminação, para não responder a mais de cem perguntas feitas pelos senadores.
Em um pronunciamento inicial antes de se recusar a responder aos questionamentos, o médico alegou que Paul tem uma “óbvia obsessão” em colocá-lo “atrás das grades”.
Em entrevista à emissora CBS após a audiência, Paul disse que o silêncio do médico perante o Senado americano pode levar a acusações criminais federais por desacato ou obstrução de um procedimento do Congresso.
Paul acusa Fauci há anos pelo financiamento dos Estados Unidos a pesquisas no laboratório de Wuhan, na China, com ganho de função, ou seja, que fazem um organismo desenvolver novas habilidades e se tornar mais perigoso.
Em 2021, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, à época comandado por Fauci, disse que ocorreu financiamento americano a pesquisas na China, mas elas não teriam envolvido ganho de função. A direita americana defende a teoria de que o coronavírus surgiu no laboratório de Wuhan.
Apesar de ser do Partido Republicano, Paul tem um histórico de posicionamentos que contrariam ideias e ações do governo Donald Trump. Confira abaixo:
Paul foi contra as tarifas de Trump
Em setembro de 2025, ele se juntou a um grupo de quatro senadores do Partido Democrata para apresentar um projeto de lei contra o então tarifaço de 50% imposto pelo presidente americano a produtos do Brasil.
Na ocasião, Paul se disse “alarmado com a perseguição do governo brasileiro a um ex-presidente [Jair Bolsonaro] e a repressão autoritária à liberdade de expressão”, mas alegou que “isso não tem relação com os limites constitucionais do nosso próprio Executivo”.
“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade, sob a Ieepa [Lei Internacional de Poderes Econômicos de Emergência, na sigla em inglês], para impor tarifas unilateralmente. A política comercial é responsabilidade do Congresso, não da Casa Branca”, afirmou o senador republicano.
Em outubro, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma medida simbólica pela revogação das tarifas globais anunciadas por Trump contra mais de cem países em abril de 2025. Paul foi um dos quatro senadores republicanos a apoiar a medida, ao lado de Mitch McConnell, Susan Collins e Lisa Murkowski.
Críticas à captura de Maduro
Em janeiro deste ano, Paul contrariou Trump novamente, ao apoiar um projeto no Senado para restringir o poder do presidente para ordenar operações militares na Venezuela, após a captura do então ditador Nicolás Maduro por forças americanas em Caracas.
Na ocasião, Paul disse que não se tratava de um debate “sobre o bem ou o mal, o ruim ou o bom”, em referência a Maduro.
“A questão é quem tem o poder de levar o país à guerra”, alegou. “A Constituição foi muito clara e divide a guerra em dois aspectos. Um é a declaração ou o início da guerra, poder que foi dado ao Congresso, e a execução da guerra, a tomada de decisão sobre a guerra, ficou a cargo do presidente.”
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No final do mesmo mês, Paul citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o antecessor Jair Bolsonaro (PL) ao questionar o secretário de Estado, Marco Rubio, em uma audiência no Senado americano sobre a operação em que Maduro foi capturado.
Ele se juntou a democratas na alegação de que o Executivo americano precisa da aprovação do Congresso para declarar guerra a outro país. A gestão Trump alega que a ação na Venezuela foi pontual e não o início de um conflito.
“Penso que estamos violando tanto o espírito quanto a lei da Constituição ao bombardear uma capital, bloquear o país e destituir autoridades eleitas. E certamente não toleraríamos isso, nem eu, se alguém fizesse isso conosco”, afirmou Paul.
Rubio respondeu na ocasião citando as acusações a que Maduro responde na Justiça federal dos EUA e lembrando que o ex-ditador fraudou a eleição presidencial de 2024 para continuar no poder.
“Não removemos uma autoridade eleita. Removemos alguém que não foi eleito e que, na verdade, era um traficante de drogas indiciado nos Estados Unidos”, disse o secretário de Estado.
Paul interrompeu, dizendo que Maduro foi indiciado “sob as leis” dos Estados Unidos. Neste momento, ele citou Lula e Bolsonaro.
“Veja bem, Bolsonaro diz que [Lula] da Silva não é o verdadeiro presidente do Brasil. Nosso presidente disse que [Joe] Biden não era o verdadeiro presidente. Hillary Clinton disse em 2016 que Trump não era o presidente”, disse o senador republicano.
“Então, você tem esses argumentos, e eu concordo com você, provavelmente foi, e muito provavelmente foi, certamente foi, uma eleição ruim [na Venezuela]. Ele [Maduro] não foi realmente eleito. Mas, ao mesmo tempo, se essa é a nossa premissa, [se] você não precisa vir até nós [ao Senado] porque é uma operação contra as drogas [que ocorreu na Venezuela], [porque] estamos apenas removendo alguém, você pode ver aonde isso leva. E leva ao caos”, afirmou Paul.
“E é por isso que temos regras como a Constituição, para não chegarmos ao ponto em que os presidentes podem fazer o que quiserem”, acrescentou.
Paul diz que EUA estão em situação pior do que antes da guerra no Irã
Outra ação militar do governo Trump criticada por Paul é a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. No mês passado, o senador, que votou a favor de resoluções para retirar os EUA do conflito, disse que a situação americana estava pior do que antes do início da guerra, em fevereiro.
“Acho que a guerra com o Irã não foi um sucesso. Sou contra a guerra com o Irã desde o início. Acredito que, por qualquer critério objetivo, estamos em uma situação pior do que antes da guerra”, afirmou Paul a jornalistas.
“Se você observar a militarização do Estreito de Ormuz, isso nunca aconteceu antes. Não há uma maneira fácil de desmilitarizar o estreito. Desse ponto de vista, acho que estamos em uma situação pior”, acrescentou, citando a passagem marítima cujo fechamento passou a ser um instrumento de chantagem do regime do Irã.






