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Senadora Elizabeth Warren (Partido Democrata, Massachusetts) questiona a subsecretária do tesouro em 15 de fevereiro de 2022.
Senadora Elizabeth Warren (Partido Democrata, Massachusetts) questiona a subsecretária do tesouro em 15 de fevereiro de 2022| Foto: EFE/EPA/WIN MCNAMEE / POOL

A senadora americana Elizabeth Warren, junto a sete colegas do Senado e seis parlamentares da Câmara dos Representantes, todos do Partido Democrata, propuseram na última semana algo raro no país: um projeto de lei de controle de preços. O plano seria proibir que empresas com receitas iguais ou maiores que US$ 100 milhões vendam produtos ou serviços “a um preço exorbitante”. A multa aplicada seria de 5% sobre o faturamento anual – que é bem mais que sobre o lucro.

O conselho editorial do Wall Street Journal reagiu na segunda-feira (16) caracterizando o plano como mais uma tentativa dos Democratas (o que inclui o presidente Joe Biden) de culpar os empresários pela inflação. O governo Biden tem gasto trilhões de dólares em diferentes programas e adotado a política monetária de imprimir mais dólares. O editorial acrescenta que a medida seria “um clássico do gênero” em se tratando de problemas causados pelo governo que são piorados por soluções do governo, e chama os políticos envolvidos de venezuelanos, fazendo referência pejorativa ao regime socialista de Chávez e Maduro.

Moralizando preços, Warren reclama de “corporações que se aproveitam da crise presente para abocanhar os consumidores”, dando como exemplo supermercados, locadoras de automóveis e farmacêuticas. “A proposta dos democratas é em um sentido difícil de levar a sério, pois controles de preços são tão obviamente tolos”, arremata o Wall Street Journal.

Um erro irresistível

No ano 301, o imperador romano Diocleciano sancionou o Édito dos Preços Máximos, que criou tetos de preços para 900 produtos e 150 serviços. O preâmbulo do édito moraliza o lucro, mencionando “a avareza daqueles que sempre querem transformar em lucro próprio até as bênçãos dos deuses”. O resultado foi escassez desastrosa desses produtos e serviços.

Nos mais de 1,7 mil anos que se seguiram ao erro de Diocleciano, a humanidade insistiu no erro de moralizar preços e tentar congelá-los ou controlá-los centralmente, muitas vezes enquanto ativamente desvalorizava moedas aumentando a sua circulação. No Brasil, o louvado intelecto de Ruy Barbosa não o salvou de imprimir dinheiro sem lastro ouro quando ministro da Fazenda, o que engatilhou a crise do encilhamento no fim do século XIX.

Durante a pandemia de Covid-19, a Argentina repetiu o erro fazendo listas de produtos a terem preços congelados, com o resultado previsível de escassez dos produtos no mercado. Nos próprios Estados Unidos, a iniciativa dos senadores do Partido Democrata não é inédita. O presidente Richard Nixon congelou o preço da carne por causa da inflação em 1973. Criadores de gado de corte responderam segurando o estoque.

Com os problemas pós-pandemia e gasto desenfreado do governo, os americanos estão experimentando um problema de inflação que é crônico na América Latina. A Venezuela, usada como mau exemplo pelo Wall Street Journal, apresenta inflação de 222% nos últimos 12 meses, segundo um relatório do Banco Mundial publicado no mês passado. O Brasil apresenta mais de 12%, e a Argentina, 58%.

Nas medidas desesperadas de governos para tentar tapar buracos econômicos abertos por eles próprios, ainda tem tragicômico lugar de destaque o Zimbábue: em 2009, em hiperinflação, o país lançou uma cédula no valor de cem trilhões de dólares zimbabuanos. Chegou ao ponto de a nota não dar sequer para uma passagem de ônibus.

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