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Terrorismo

Série de ataques mata 78 na Índia

Locais conhecidos por concentração de turistas em Mumbai, a maior cidade do país, são alvo de atentados

Policial indiano é visto em estação de metrô em Mumbai, onde pelo menos 10 pessoas foram mortas a tiro | Reuters
Policial indiano é visto em estação de metrô em Mumbai, onde pelo menos 10 pessoas foram mortas a tiro (Foto: Reuters)
Veja onde fica Mumbai |

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Veja onde fica Mumbai

Mumbai - Ataques coordenados mataram ontem pelo menos 78 pessoas e feriram mais de 200 em Mumbai (antiga Bombaim), provocando pânico na capital financeira da Índia. Hóspedes foram tomados reféns em dois hotéis de luxo alvejados por terroristas, que abriram fogo com fuzis automáticos em sete pontos da maior cidade do país, incluindo um hospital e uma estação de trem.

Outros locais foram atacados com explosivos, totalizando pelo menos nove alvos. Até a noite de ontem (madrugada de quinta na Índia), os criminosos não haviam sido dominados, segundo o chefe da polícia Estadual, A. N. Roy. Nove terroristas foram presos e dois mortos, afirmaram autoridades locais.

Um grupo obscuro, os Mujahedin do Deccan (planalto no sul da Índia), enviou e-mails à imprensa reivindicando a autoria dos ataques, não confirmada pela polícia. A Índia sofreu uma série de atentados nos últimos anos, executados por radicais islâmicos e extremistas hindus. Em 2006, explosões em série mataram 209 pessoas em Mumbai.

A polícia não divulgou informações sobre possíveis motivações dos atentados de ontem. Segundo a imprensa local, há suspeita de envolvimento de terroristas nigerianos. Os ataques coincidem com as eleições regionais na Caxemira indiana, região de maioria muçulmana que abriga grupos separatistas.

A série de ataques expôs a fragilidade do serviço de inteligência indiano, quase sempre surpreendido pelos terroristas. Entre os mortos está o chefe do esquadrão antiterrorismo da polícia, Hemant Karkare.

Hotel em chamas

Os criminosos provocaram incêndio na recepção dos hotéis Oberoi e Taj Mahal, onde o fogo alastrou-se durante a madrugada. A tevê indiana exibiu imagens dos hóspedes sendo retirados com as mãos na cabeça, em meio à incerteza sobre onde estavam os terroristas.

"Ainda estamos tentando descobrir quantas pessoas estão dentro do hotel’’, disse um porta-voz da polícia, enquanto as chamas consumiam a recepção do Taj Mahal e feridos deixam o hotel em carros de bagagem. O Exército movimentou tropas para os hotéis.

O britânico Sajjad Karim, parte de uma delegação da União Européia que prepara um encontro Índia–EUA e estava hospedada no Taj Mahal, contou a agências de notícias que homens entraram atirando.

Karim disse que estava em um grupo de cerca de 25 a 30 pessoas quando o ataque começou.

"Um homem armado disparava balas, bem perto de mim. Eu consegui correr para a cozinha do hotel’’, disse o eurodeputado, que se trancou com parte do grupo em uma sala no subsolo. Segundo o porta-voz do Parlamento europeu, Jaume Duc, os oito eurodeputados da delegação estão bem.

Estrangeiros são alvo

Pelo menos 50 hóspedes coreanos estão retidos no hotel Taj Mahal. O restaurante Leopold, freqüentado sobretudo por turistas, também foi alvo.

"Acho que (os terroristas) procuravam estrangeiros, porque pediam passaportes americanos ou britânicos’’, disse Rakesh Patel, que testemunhou o ataque ao hotel Taj Mahal.

"O pânico é geral. Os ataques ainda não acabaram e a recomendação é que todos fiquem onde estão’’, disse o cônsul-geral do Brasil, Paulo Antônio Pereira Pinto, que falou por telefone ontem à noite. "Quando os atentados começaram, os celulares foram desligados, pois geralmente as bombas são acionadas por celular’’, afirmou o diplomata brasileiro.

Ele explicou que, por isso, não foi possível entrar em contato com todos os brasileiros que vivem na cidade, mas informações iniciais indicam que estejam bem. O consulado não tem dados sobre turistas feridos.

Vários país emitiram notas condenando os ataques, entre eles o Brasil, os EUA e o Reino Unido.

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