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O regime da Nicarágua libertou cerca de 24 novos presos políticos nos últimos dias, em meio à pressão direta dos Estados Unidos por libertações incondicionais, segundo informações de organismos independentes de direitos humanos.
De acordo com a ONG de direitos humanos nicaraguense Mecanismo para o Reconhecimento de Pessoas Presas Políticas, as libertações estão ocorrendo desde o último dia 10 de janeiro e estão sendo apresentadas oficialmente pelo regime sandinista como um benefício de "convivência familiar", no âmbito da "comemoração" do aniversário de 19 anos do ditador Daniel Ortega no poder. A organização confirmou as libertações com base em relatos de familiares. Segundo o Mecanismo, com as 24 libertações confirmadas nos últimos dias, o total de presos políticos libertados pelo regime desde o início deste mês chegou a pelo menos 30.
Apesar da medida, entidades de direitos humanos ainda afirmam que a repressão do regime de Ortega não foi interrompida na Nicarágua. Segundo a ONG Monitoreo Azul y Blanco, dias antes do início das libertações, o regime decretou um estado de alerta interno, reforçou a vigilância em bairros e intensificou o monitoramento de redes sociais em diferentes regiões do país.
Nesse período, cerca de 60 nicaraguenses foram detidos de forma arbitrária por manifestações de opinião ou interações digitais relacionadas à captura do agora ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA. De acordo com as organizações, 49 dessas pessoas continuam presas, o que elevou o total de presos políticos na Nicarágua para ao menos 87, embora apenas parte deles esteja oficialmente identificada.
As entidades também relatam que muitos dos libertados não recuperaram a liberdade plena. Conforme os relatos recebidos, os libertados pelo regime foram enviados para casa com restrições de deslocamento, proibição de sair de suas cidades e obrigação de se apresentar diariamente às autoridades policiais.
As libertações em curso na Nicarágua ocorrem após pressão do governo dos Estados Unidos. Em posts recentes nas redes sociais, órgãos do Departamento de Estado dos EUA classificaram o regime de Ortega como ilegítimo e exigiram a libertação “incondicional” de todos os presos políticos. Em dezembro, o governo americano disse que estava “vigiando” de perto as ações do regime de Ortega.







