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A Groenlândia afirmou nesta segunda-feira (12) que pretende trabalhar em estreita cooperação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para reforçar a segurança no Ártico, em meio à escalada de tensões provocada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem defendido a anexação do território autônomo dinamarquês por razões de segurança nacional do território americano.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a defesa do território deve permanecer no âmbito da Otan. Nielsen disse que o governo groenlandês pretende garantir que qualquer desenvolvimento da defesa na ilha e em suas áreas marítimas ocorra em coordenação com a aliança militar, em diálogo com os aliados - incluindo os próprios Estados Unidos - e em cooperação com a Dinamarca. A Groenlândia integra o Reino da Dinamarca e, por essa condição, faz parte da Otan.
Segundo a agência Associated Press, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nos últimos dias que a aliança está discutindo neste momento “os próximos passos” para fortalecer a segurança no Ártico. Diplomatas ouvidos pela imprensa internacional disseram que ideias como o lançamento de uma nova missão na região estão sendo debatidas, embora ainda não existam propostas concretas.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que uma eventual ação militar dos EUA contra a Groenlândia representaria o fim da Otan. Ainda assim, conforme Rutte, Copenhague não se oporia a uma presença militar americana maior na ilha, desde que dentro dos marcos existentes.
De acordo com dados oficiais citados pela AFP, a Dinamarca aumentou significativamente os investimentos em segurança na Groenlândia, destinando cerca de 90 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente 11 bilhões de euros) no ano passado para reforçar a defesa da região, em parte como tentativa de responder às preocupações estratégicas levantadas por Washington.
A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, abriga importantes recursos minerais ainda pouco explorados e ocupa uma posição considerada estratégica no Ártico. Desde a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos mantêm presença militar na ilha com base em acordos de defesa firmados com a Dinamarca, atualmente limitados a uma base ativa.







