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Religião

Sozinha, ciência não explica a origem do mundo, diz o Papa Bento XVI

Ratisbona, Alemanha – No quarto dia de visita à Baviera, na Alemanha, o Papa Bento XVI abordou temas delicados como fé, islamismo, fanatismo, criacionismo e evolucionismo durante a missa que celebrou na esplanada de Islinger Feld e em uma reunião acadêmica que conduziu na cidade de Ratisbona.

Bento XVI afirmou que o evolucionismo, por si só, não explica a origem do mundo. O Sumo Pontífice pediu aos fiéis que definam sem ambigüidades suas crenças em relação ao fanatismo e os orientou ao resumir em uma frase quem é o Deus dos católicos. "Acreditamos neste Deus que é o espírito criador, a razão criadora de onde tudo procede e de onde também viemos nós", explicou aos 260 mil peregrinos que o receberam, como se tornou habitual durante a viagem a sua terra natal, com cartazes e bandeiras brancas e amarelas, as cores do Vaticano.

O Papa destacou a existência de enfermidades fatais que corroem a fé e um fanatismo que de alguma maneira atenta contra Deus. "Hoje em dia, em que existem patologias, doenças fatais da religião e da razão e destruições da imagem de Deus por causa do ódio e do fanatismo, é importante dizer com clareza em que Deus acreditamos", disse durante a homilia. "Apenas isto pode nos libertar do medo de Deus, um sentimento do qual nasce o ateísmo moderno. Somente este Deus nos salva do medo do mundo e da angústia diante do vazio de nossa própria existência", acrescentou.

Bento XVI, que lecionou teologia dogmática na Universidade de Ratisbona de 1969 a 1977, dedicou boa parte da homilia a um tema que, em certa época, já opôs a Igreja aos círculos científicos, a origem do mundo: "O que existe na origem? A razão criadora, o espírito que opera em tudo e proporciona o desenvolvimento, ou a irracionalidade que, despojada de toda razão, produz estranhamente um universo ordenado de maneira matemática, assim como o Homem e sua razão?", questionou o Papa durante a missa, que teve a presença de seu irmão, o padre Georg Ratzinger, 82 anos.

De nada vale, afirmou, tentar explicar a origem do mundo com cálculos que nunca fecham. "Apesar de uma parte da ciência se dedicar desde o século do iluminismo a buscar uma explicação ao mundo na qual Deus seria supérfluo, nunca conseguiu porque sem Deus os cálculos sobre o homem não encaixam e os cálculos sobre o mundo, sobre todo o vasto universo, não fecham sem Ele", advertiu, indicando que isoladamente, o evolucionismo, não explica a origem do mundo.

O evolucionismo é uma doutrina filosófica fundamentada em que tudo é gerado pela evolução. O criacionismo defende a teoria de que o mundo foi criado segundo o Gênesis, primeiro livro do Antigo Testamento da Bíblia, ou seja, que Deus criou o mundo do nada e participou na criação da alma humana no momento da concepção.

Fanatismo

Ainda durante a missa, o Papa afirmou que o fanatismo destrói a imagem de Deus. Mais tarde, em uma aula magna dirigida a 1.500 pessoas, entre cientistas, professores universitários e personalidades eclesiásticas, ele condenou o fundamentalismo religioso e afirmou que a jihad dos extremistas islâmicos vai contra Deus. O Papa declarou ainda que utilizar a violência para defender a fé também é "irracional". Ele destacou as diferenças entre o Islã moderado e o fanático, e insistiu na recusa do uso da violência e da ameaça como métodos de transmissão da fé e considerou que a sociedade precisa de um diálogo entre culturas e religiões.

"No Ocidente predomina a opinião de que só o positivismo e as filosofias derivadas dele são universais. As culturas profundamente religiosas vêem nessa exclusão de Deus um ataque a suas convicções mais íntimas. Uma razão que, diante do Divino, se torna surda e rejeita a religião, é incapaz de se integrar ao diálogo das culturas", argumentou Bento XVI.

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