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A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta terça-feira (27) que ativos do país foram desbloqueados nos Estados Unidos como resultado dos diálogos com o governo do presidente americano, Donald Trump.
Em um ato transmitido pela emissora estatal de televisão VTV, a líder chavista afirmou que “estabeleceu canais de comunicação de respeito e de cortesia” tanto com Trump quanto com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
“Estamos estabelecendo uma agenda de trabalho e, no marco dessa agenda de trabalho, (...) desbloqueamos recursos da Venezuela que pertencem ao povo da Venezuela. Nós os estamos desbloqueando, e isso permitirá que possamos investir recursos importantes em equipamentos para os hospitais”, disse. Trump ainda não se pronunciou sobre o assunto.
A ditadora afirmou que o dinheiro também será destinado à compra de equipamentos para o sistema de energia elétrica e para a indústria do gás no país sul-americano.
O regime venezuelano denunciou várias vezes que bilhões de dólares da Venezuela, assim como ouro e outros ativos, estão bloqueados no exterior devido às sanções internacionais, entre elas as dos EUA.
O anúncio de Rodríguez ocorre após dois dias em que Caracas elevou a retórica contra os Estados Unidos, com a ditadora, que assumiu a liderança do regime chavista após Nicolás Maduro ter sido capturado por forças americanas no último dia 3, fazendo declarações alegando que Washington não manda no país – contrariando a Casa Branca, cuja porta-voz, Karoline Leavitt, disse que a gestão Trump “seguirá ditando” as decisões do governo venezuelano.
“O povo da Venezuela não aceita ordens de nenhum fator externo; o povo da Venezuela tem um governo, e esse governo obedece ao povo”, disse a ditadora interina na segunda-feira (26).
No domingo (25), Rodríguez havia afirmado que “já basta de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela”.
“Que seja a política venezuelana que resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, disse a ditadora.
Apesar desse discurso, Trump disse nesta terça-feira que tem uma “relação muito boa” com a chavista e segue preterindo a líder oposicionista María Corina Machado e apoiando a permanência de Rodríguez no poder, sob o argumento de que a Venezuela poderia se tornar um foco de terrorismo como o Iraque após a queda de Saddam Hussein, caso o regime chavista seja derrubado subitamente.
No anúncio de hoje, Rodríguez defendeu um “diálogo diplomático para dirimir as controvérsias”.
“A partir de 3 de janeiro do presente ano, propusemos que nossas diferenças e que nossas divergências sejam resolvidas por meio do diálogo diplomático, da conversa política entre autoridades de um país e de outro país”, declarou.







