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Eleição

Tempestade dá vantagem a Obama

Pesquisas mostram que eleitores aprovaram a atuação do presidente durante a crise causada pelo ciclone Sandy

O republicano Mitt Romney durante campanha na Flórida e o presidente Barack Obama em Green Bay, Wisconsin | Fotos: Brian Snyder/Reuters e Jewel Samad/AFP
O republicano Mitt Romney durante campanha na Flórida e o presidente Barack Obama em Green Bay, Wisconsin (Foto: Fotos: Brian Snyder/Reuters e Jewel Samad/AFP)

Passadas as adversidades climáticas, a corrida eleitoral segue embolada, como mostra a primeira pesquisa após a tempestade Sandy. De­­ acordo com a consulta­­ da Reuters/Ipsos, Barack Obama tem 47% da preferência dos eleitores dispostos a votar, contra 46% de Romney – a margem de erro é de 3,4 pontos porcentuais.

Outra sondagem, realizada em parceria entre o Wa­­shington Post e a ABC News, mostra que 8 em cada 10 prováveis eleitores afirmaram que o presidente fez um "excelente" ou "bom" trabalho durante a crise causada pela passagem da supertempestade Sandy. Até mesmo dois terços dos simpatizantes do republicano Mitt Romney afirmaram que o democrata saiu-se bem.

O democrata retomou ontem a agenda de compromissos eleitorais após pausa de quatro dias, quando esteve coordenando a resposta do governo à tempestade.

Obama discursou no estado de Wisconsin e em Las Vegas, voltando a empregar, em sua fala, dois dos slogans que marcaram sua vitória nas urnas em 2008, as palavras "esperança" e "mudança", das quais vinha se esquivando até então. "Eu sei o que mudança significa porque eu lutei por ela", disse, em Green Bay, Wisconsin.

"O governador Romney tem usado seu talento como vendedor para maquiar todas aquelas mesmas políticas que deram tão errado no nosso país – as mesmas que temos consertado nos últimos quatro anos –, e as oferecendo como mudança", prosseguiu.

As referências à tempestade também estiveram presentes: "Quando um desastre nos golpeia, o melhor dos Estados Unidos se revela", disse.

"Camarada" Obama

Já Mitt Romney também partiu para o ataque. Em propagandas de tevê que foram ao ar na Flórida, ele associa seu adversário a líderes latinos de esquerda, como Hugo Chávez e Fidel Castro.

Um vídeo mostra o trecho de uma declaração do presidente venezuelano dizendo que, se fosse norte-americano, votaria em Obama – o que Chávez afirmou, de fato, no mês de setembro.

Outro "spot" semelhante também mostra uma declaração de apoio ao democrata da sexóloga Mariela, sobrinha de Fidel Castro.

Dan Restrepo, um dos con­­­­selheiros de campanha de­­ Obama, criticou a propagan­­da.­­ "Romney continua jogando ­­o jogo de Chávez, dando-lhe mais atenção do que ele merece", afirmou.

Entrevista

Rodolfo Stancki

Eduardo Biacchi Gomes, professor de Direito Internacional das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil).

"Obama e Romney não têm muitas diferenças em política exterior"

O que muda na política internacional com a vitória de Romney ou de Obama?

Os dois candidatos entendem a importância de uma presença internacional mais forte dos norte-americanos, especialmente em políticas voltadas para o combate ao terror. Com relação ao Irã, o foco é o mesmo, pois ambos querem evitar o desenvolvimento do programa nuclear. Além disso, Romney e Obama concordam que a situação não deve ser tratada como no caso do Iraque e do Afeganistão, pois é desgastante para os EUA – além de ser um dos motivos para a crise econômica. Então, as diferenças nessas questões não são grandes.

Em que pontos os candidatos diferem mais?

Romney tem uma visão de contenção de gastos. Obama tem uma política voltada para as questões sociais. Na minha análise, existe uma aproximação entre as propostas. Os dois têm o objetivo de reerguer a economia norte-americana, o que requer um intercâmbio comercial maior.

Em que área os candidatos precisam concentrar esforços para o próximo mandato?

Uma questão que é colocada é a perda de empregos nos EUA, por causa da crise. É necessário incentivar a indústria para gerar mais vagas no mercado de trabalho. Além disso, é preciso buscar a permanência das empresas norte-americanas, para que não busquem mão de obra mais barata em outro país.

Que lugar os EUA ocupam atualmente no mundo para que a eleição sejatão debatida no cenário internacional?

Com a crise de 2008, os EUA levaram outros países à crise. Os norte-americanos têm uma importância econômica, nas políticas de segurança e na guerra contra o terror. É um país com liderança mundial, que tem posição estratégica no Conselho de Segurança da ONU.

A China tem ocupado um importante papel como potência comercial e, mesmo assim, pouco é comentado sobre a troca de presidentes que ocorre na próxima semana. Por quê?

Os EUA estão mais próximos de nós. A China ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC) depois dos anos 2000. Para nós, eles ainda são desconhecidos. O processo eleitoral chinês pode ser tão ou mais importante que o norte-americano, mas existe uma afinidade dos latino-americanos com os EUA.

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