
A agência estatal do governo da Argélia divulgou neste sábado (19) o trágico fim do sequestro de funcionários em um campo de gás em In Amenas, no deserto do país. Segundo a APS, os últimos sete reféns que estavam sob o poder de radicais islâmicos foram mortos, junto a 11 sequestradores. As informações ainda não foram confirmadas por governos de outros país e as circunstâncias da ação ainda são incertas.
De acordo com a Radio France, cerca de 10 extremistas estavam trancados com o restante dos reféns em um setor de maquinários, armados com explosivos e lançadores de foguetes. A APS disse que o Exército cercou o local e contava com o apoio de helicópteros. A agência também divulgou que 20 argelinos e um número incerto de estrangeiros teriam morrido no confronto entre forças do governo e militantes na sexta-feira.
Mais cedo, fontes da Reuters afirmaram que militares argelinos encontraram cerca de 15 corpos queimados dentro de uma instalação do campo, mas nenhum deles ainda foi identificado e não está claro como morreram.
Na sexta-feira, a APS afirmou que cerca de 670 funcionários do campo de gás em In Amenas foram sequestrados, mas que 500 argelinos e cerca de 100 estrangeiros já haviam sido libertados. Segundo o último comunicado de Argel, havia cerca de 20 estrangeiros nas mãos dos terroristas, enquanto a Reuters divulgava o número de 30. Dados exatos sobre os reféns continuam incertos.
Os detalhes da tomada do campo de exploração de gás na Argélia por militantes islamistas começam a surgir. O ataque vinha sendo orquestrado nos últimos dois meses, disse um membro da Brigada Mascarada a um site de notícias da Mauritânia. O grupo inclui militantes da Argélia, Mali, Egito, Níger, Mauritânia e Canadá, e tinha como objetivo promover uma retaliação à investida francesa no Mali e ao apoio do governo argelino à ação europeia.
Conselho de Segurança condena ação de radicais
O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou "em seus mais duros termos" o ataque de radicais islâmicos ao campo de produção de gás na Argélia, seguido do sequestro de centenas de funcionários e da morte de alguns após uma investida de forças do governo. Em nota divulgada neste sábado, o órgão da ONU descreveu a investida dos terroristas como um ato "hediondo" e pediu que todos os países envolvidos realizem uma caça conjunta contra os terroristas e patrocinadores da ação.
"Os membros do conselho expressam seu profundo pesar e sinceros pêsames às vítimas desse ato hediondo, às suas famílias, ao governo da Argélia e sua nação, e a todos os países cujos cidadãos foram afetados", diz o comunicado lido por Masood Khan, representante permanente do Paquistão na ONU. "O conselho sublinha a necessidade de trazer os autores, organizadores, financiadores e patrocinadores desses atos de terrorismo à justiça, e exortamos todos os Estados envolvidos a cooperarem ativamente com as autoridades argelinas a este respeito."
O chanceler do Reino Unido, William Hague, disse nesta sexta-feira que uma solução para o sequestro vai ser a maior prioridade do governo até que todos os britânicos reféns sejam encontrados. Ele acrescentou que ainda há cerca de dez britânicos desaparecidos e ao menos um está nas mãos dos radicais.



