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Ameaça

Teste com míssil norte-coreano provoca alarme no Ocidente

Atualizado em 20/06/2006 às 19h25

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta segunda-feira que o lançamento de um míssil de longo alcance pela Coréia do Norte seria "uma questão muito grave" e seria visto como um ato de provocação.

Ainda nesta segunda-feira, o embaixador americano John Bolton disse que os Estados Unidos estão consultando membros do Conselho de Segurança da ONU sobre as medidas possíveis a serem adotadas pelo órgão se a Coréia do Norte testar o artefato.

- Neste momento, estamos consultando vários membros do Conselho (sobre) que passos podem ser tomadas porque, obviamente, será muito sério - disse Bolton a repórteres na sede da ONU.

Os Estados Unidos e o Japão aconselharam a Coréia do Norte a não testar o novo míssil, no momento em que os norte-coreanos pareciam ter concluído a fase de abastecimento de um artefato capaz de chegar até o Alasca.

A rede de TV YTN afirmou que, segundo autoridades sul-coreanas, era iminente o lançamento de um míssil Taepodong-2, da Coréia do Norte.

No entanto, especulações de que o míssil poderia ser lançado no fim de semana não se confirmaram e a previsão de chuva no norte da Coréia do Norte pode adiar ainda mais esse suposto teste.

As tensões em torno do Taepodong-2 somaram-se, nesta segunda-feira, às pressões sofridas pelo iene japonês, pelo won sul-coreano e pelo dólar de Taiwan, apesar de os mercados de câmbio estarem mais preocupados com a elevação das taxas de juros nos EUA.

A Coréia do Norte surpreendeu o mundo em 1998 quando disparou um míssil pela primeira vez, parte do qual passou pelo o Japão antes de cair no Oceano Pacífico. O governo norte-coreano disse então ter lançado um satélite. Um ano mais tarde, em 1999, o governo comunista do país aderiu a uma moratória no lançamento de mísseis balísticos.

O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, disse que os governos do Japão, dos EUA e da Coréia do Sul haviam pedido à Coréia do Norte que agisse de forma racional e comedida. Koizumi se reuniu por duas vezes com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, desde que tomou posse, em 2001.

- Mesmo agora, temos esperanças de que eles não vão fazer isso - disse Koizumi em uma entrevista coletiva. - Mas, se eles ignorarem nossa opinião e lançarem um míssil, então o governo japonês, depois de realizar consultas com os EUA, teria de agir de forma dura.

O premier não quis dizer quais medidas seriam essas.

O Japão já afirmou que poderia requisitar um encontro do Conselho de Segurança. E, nesta segunda-feira, o principal porta-voz do governo japonês, Shinzo Abe,deixou aberta a possibilidade de sanções.

Impasse nas negociações

Os boatos sobre os preparativos para o lançamento de teste surgiram no momento em que estão paralisadas as negociações sobre o programa de armas nucleares da Coréia do Norte. Essas negociações contam com a participação de seis países: as duas Coréias, os EUA, a Rússia, a China e o Japão.

Alguns analistas acreditam que o governo norte-coreano, insatisfeito por ter perdido espaço no cenário internacional para as ambições nucleares do Irã e enfurecido com a operação americana de combate a supostas atividades ilegais do país, realizará o teste.

As autoridades americanas vêem com preocupação as fotos de satélite mostrando os preparativos para o lançamento na instalação de Musudan-ri, na Província de Hamgyong do Norte.

Autoridades em Washington, que não quiseram ter suas identidades reveladas, disseram no domingo acreditar que a fase de abastecimento do míssil estava concluída.

Mas o embaixador dos EUA no Japão, Thomas Schieffer, afirmou em Tóquio que não existia ainda qualquer "julgamento definitivo" sobre a situação.

O lançamento de teste envolveria um míssil Taepodong-2, com um suposto raio de ação de algo entre 3.500 e 4.300 quilômetros. O Alasca (nos EUA) e partes da Rússia e da Ásia estariam ao alcance do míssil.

Autoridades americanas disseram que a Coréia do Norte pode cancelar o lançamento, o que, no entanto, é improvável em virtude da complexidade envolvida na operação de retirada de combustível de um míssil pronto para ser lançado.

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