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O site The Intercept e a organização Freedom of the Press Foundation processaram nesta quarta-feira (12) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por causa do serviço pago da Truth Social que oferece a clientes acesso antecipado a publicações feitas na rede social.
A ação foi apresentada em um tribunal federal de Nova York e busca impedir que Trump e integrantes da Casa Branca mantenham o modelo de distribuição antecipada de publicações do presidente na rede social. Segundo os autores do processo, o sistema cria acesso preferencial a informações oficiais e pode prejudicar jornalistas e outros integrantes do público.
Desde o dia 1º, a Trump Media & Technology Group, empresa controladora da Truth Social, oferece a clientes e empresas um serviço chamado de "Truth API". Aassinatura pode custar até US$ 100 mil por mês e permite receber com maior rapidez publicações das dez contas mais influentes da plataforma, incluindo a de Trump.
De acordo com a emissora BBC, as mensagens são entregues aos assinantes segundos antes de aparecerem para o público em geral. Os autores da ação argumentam que essa diferença de tempo pode ser relevante porque Trump usa frequentemente a Truth Social para anunciar decisões e informações de governo capazes de influenciar os mercados financeiros.
O processo sustenta que a venda de acesso prioritário pode violar a Primeira Emenda da Constituição americana, ao criar, segundo os autores da ação, tratamento desigual no acesso a informações oficiais. A ação também cita a Quinta Emenda, sob o argumento de que o governo não poderia impor condições consideradas abusivas ou desproporcionais para o acesso a benefícios ou informações públicas.
Os autores afirmam ainda que o modelo permitiria a Trump obter benefício financeiro por meio da distribuição antecipada de informações de interesse público.
Seth Stern, diretor de ativismo da Freedom of the Press Foundation, afirmou que um presidente vender acesso prioritário a notícias que ele próprio gera em benefício de uma empresa privada sob seu controle representa, na visão da organização, uma situação “flagrantemente corrupta e inconstitucional”.
David Bralow, diretor jurídico do site The Intercept, também criticou o serviço e afirmou que cobrar por acesso antecipado a anúncios públicos presidenciais seria incompatível com o funcionamento de uma imprensa livre e independente.
A Trump Media rejeitou as acusações. Em resposta divulgada à BBC, a empresa afirmou que informações de Trump são distribuídas por diversas plataformas e veículos de comunicação, muitos dos quais também oferecem serviços por assinatura.
A companhia classificou os autores do processo como “ativistas de esquerda” e acusou as organizações de tentarem usar os tribunais para censurar Trump e prejudicar os acionistas da empresa. A Trump Media também afirmou que a Freedom of the Press Foundation teria violado os termos de uso da Truth Social.
Mais de dez empresas já pagam até US$ 100 mil por mês pelo acesso rápido às publicações. A Trump Media afirma que o produto é destinado principalmente a empresas.







