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Mão de obra

Trabalho forçado atinge 21 milhões de pessoas

Relatório da Organização Mundial do Trabalho mostra que em todo o mundo há exploração ilegal de trabalhadores

Mulheres descarregam madeira de barco em Mianmar, país que se comprometeu a erradicar trabalho forçado até 2015 | AFP
Mulheres descarregam madeira de barco em Mianmar, país que se comprometeu a erradicar trabalho forçado até 2015 (Foto: AFP)

Cerca de 21 milhões de pessoas no mundo estão obrigadas a trabalhar contra sua vontade, pressionadas por contratistas e empregadores que em muitos casos as ameaçam com dívidas, retenção de documentos, denúncias perante departamentos de imigração e inclusive violência física.

Segundo o relatório­­ "Es­­timativa Global de Trabalho Forçado", elaborado pela Or­­ganização Internacional do Trabalho (OIT) e divulgado ontem, a maior parte dessas pessoas são exploradas na economia privada (90%), enquanto os demais realizam trabalhos forçados impostos pelo Estado.

O diretor-executivo do Se­­tor Normas e Direitos Fun­­damentais no Trabalho da OIT, Guy Ryder, explicou que a prevalência dos empregos forçados é um problema "que afeta todo o mundo", apesar de a região da Ásia e do Pacífico ser a que concentra um maior número absoluto de pessoas afetadas, cerca de 11,7 milhões.

O levantamento registrou­­ ainda – em números absolutos – África (3,7 milhões de afetados), América Latina (1,8 milhão), Europa Central (1,6 milhão), as economias desenvolvidas e a União Europeia (1,5 milhão) e o Oriente Mé­­dio (600 mil).

Em relação à prevalência do trabalho forçado, o relatório conclui que este é mais comum na Europa Central e Oriental (4,2 pessoas para cada mil habitantes), seguido da África (4), Oriente Médio (3,4 ), Ásia e Pacífico (3,3), América Latina e Caribe (3,1) e as economias desenvolvidas (1,5).

A diretora do Programa Especial da OIT para Combate ao Trabalho Forçado, Beate An­­drees, disse que receberam­­ denúncias "em quase to­­dos os países do mundo".

Brasil

Em relação ao Brasil, um relatório complementar lembra que o país iniciou desde 2002, e em colaboração com a OIT, numerosos programas para combater o trabalho forçado. Andrees destacou que muitos países vizinhos "se esforçam para aprender com a experiência brasileira".

Andrees acrescentou que na América Latina se encontraram casos de trabalho forçados em todos os países e explicou que no Peru, Bolívia e Paraguai são realizados programas para combatê-lo na agricultura, indústria têxtil e trabalho doméstico.

Explicou também que no caso dos países desenvolvidos, a maior parte dos casos tem a ver com a imigração. "Muitas vezes a passagem de um país a outro está vinculada particularmente ao tráfico sexual. Este tipo de trabalho forçado tem muita prevalência nesses países", concluiu.

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