
Os cientistas discordam se é preciso legalizar ou não o comércio de chifre de rinoceronte para frear o tráfico ilegal, que está levando a espécie rumo à extinção, por conta da grande demanda na medicina chinesa. A proteção do rinoceronte foi um dos muitos assuntos debatidos na Convenção sobre o Comércio Internacional de Flora e Fauna (Cites), realizado em Bangcoc. Durante o evento, os países-membros decidiram criar um comitê específico para examinar o impacto da caça ilegal.
Segundo os partidários da legalização, a proibição do comércio de chifre de rinoceronte, estipulada pela Cites desde 1976, contribuiu para gerar um mercado negro alimentado pela caça ilegal. No ano passado, 668 rinocerontes foram mortos na África do Sul, 67% a mais que em 2011, e em 2013 parece que o número baterá recorde, dado que, segundo o governo sul-africano, já passa de 128 o número de animais abatidos somente em três meses.
O preço do quilograma do chifre do rinoceronte chega, no mercado negro, a US$ 65 mil, mais do que o ouro, o diamante e a cocaína, devido à alta demanda para seu uso medicinal no Vietnã, na China e na Tailândia ou na manufatura artesanal de adagas no Iêmen. A legalização é a única solução para cientistas como o sul-africano Duan Biggs, que publicou em 2012 um artigo defendendo sua postura na revista Science junto com o professor Hugh Possingham, da Universidade de Queensland, na Austrália.
"A maioria dos cientistas e gerentes conservacionistas com os quais falei na África do Sul apoiam um comércio legal com uma regulação estrita", disse à Agência Efe Biggs, que atualmente mora no Chile. No artigo publicado na Science, Biggs e outros colegas argumentam que a implementação de mecanismos para garantir um comércio regulado permitiria que os preços do chifre de rinoceronte caíssem e, assim, diminuísse a caça ilegal.
Ao contrário do elefante, o chifre do rinoceronte não é uma fonte de marfim, já que é formado por queratina, que é a mesma substância que há no pelo e nas unhas dos mamíferos e, portanto, volta a crescer quando é retirado.



