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Mrima Hill

Trump avança sobre megajazida de minerais na África em nova disputa com a China

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Foto: Samuel Corum/EFE/EPA/POOL)

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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) que ajudará o Quênia a desenvolver sua indústria de minerais críticos, em uma iniciativa que ampliará a presença americana na África e colocará Washington na disputa por uma das maiores jazidas ainda não exploradas de terras raras do continente. O movimento ocorre enquanto os EUA tentam reduzir a dependência da China no fornecimento de matérias-primas estratégicas.

O principal alvo do interesse americano é Mrima Hill, no sul do Quênia, próximo à costa do Oceano Índico. O depósito contém terras raras e grandes quantidades de nióbio, mineral utilizado, entre outras aplicações, na indústria aeroespacial. Estimativas citadas nos últimos anos apontam que os recursos existentes na região podem valer dezenas de bilhões de dólares.

“Os minerais críticos são uma prioridade máxima para o presidente Trump e para o secretário [de Estado] Marco Rubio”, afirmou Frank Garcia, secretário-assistente de Estado para Assuntos Africanos, durante um encontro da Câmara Americana de Comércio em Nairóbi. Segundo ele, Washington está preparado para trabalhar com o governo queniano para transformar o país em um centro regional do setor.

Garcia disse que a proposta americana não se limita à retirada dos minerais do território africano. Os Estados Unidos pretendem apoiar instalações para processamento dentro do próprio Quênia, além de treinamento de trabalhadores, transferência de tecnologia e desenvolvimento de outras indústrias ligadas à mineração.

O representante do governo Trump disse que Washington pretende apoiar um setor que atraia empresas legítimas, respeite as comunidades locais e ajude a tornar mais seguras as cadeias globais de abastecimento.

O presidente queniano, William Ruto, tem defendido que minerais extraídos no país sejam processados localmente, em vez de simplesmente exportados em estado bruto. O objetivo é ampliar a geração de empregos e fazer com que uma parcela maior do valor econômico desses recursos permaneça no Quênia.

Empresas americanas estão entre os grupos que disputam o direito de desenvolver Mrima Hill. O governo queniano abriu um processo competitivo para escolher quem ficará responsável pela exploração do depósito, considerado estratégico por conter minerais utilizados em setores como defesa, aviação, energia e tecnologias avançadas.

A movimentação faz parte de uma ofensiva mais ampla de Washington para reduzir a influência da China sobre a cadeia global de minerais críticos. Pequim domina boa parte do processamento mundial de terras raras e vem utilizando controles sobre as exportações desses materiais em meio ao aumento das tensões comerciais e estratégicas com os Estados Unidos.

O governo Trump tem buscado novos fornecedores e apoiado projetos minerais na África por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos. A estratégia procura garantir fontes alternativas para minerais considerados essenciais para a indústria americana e para equipamentos militares. Washington e Nairóbi já haviam indicado anteriormente que estavam negociavam um acordo mais amplo envolvendo minerais críticos.

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