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Presidente dos EUA

Trump pressiona Zelensky a fechar um acordo com a Rússia

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a cobrar nesta terça-feira (20) que Volodymyr Zelensky aceite um acordo com a Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia. (Foto: JIM LO SCALZO/EFE/EPA/POOL)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar nesta terça-feira (20) o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para aceitar um acordo com a Rússia que encerre a guerra no leste europeu, que já dura mais de quatro anos. Durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca, o republicano criticou a posição de Kiev em relação às negociações e afirmou que os americanos não receberam "nada em troca" da ajuda militar e financeira enviada à Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

"Queremos que Zelensky faça um acordo. Ele pode fazer um acordo", declarou Trump no Salão Oval.

O presidente americano voltou a responsabilizar o líder ucraniano pela falta de avanços nas negociações de paz. Segundo Trump, Zelensky poderia ter encerrado o conflito há dois anos, quando os dois discutiram a guerra durante um encontro na Casa Branca. O republicano também afirmou que a população ucraniana está perdendo a capacidade de suportar a continuidade dos combates.

"Ele precisa querer fazer um acordo, porque não acho que seu povo vá aguentar isso por muito mais tempo", disse.

Trump também criticou os gastos americanos com a guerra e afirmou que os Estados Unidos não tiveram benefícios com os recursos enviados a Kiev ao longo dos últimos anos.

"Demos muito à Ucrânia. Não recebemos absolutamente nada em troca, exceto sofrimento, mortes e enormes perdas financeiras", declarou.

Em seguida, o republicano voltou a cobrar uma solução diplomática e alertou que a situação dos ucranianos pode piorar caso Zelensky não aceite negociar com Moscou.

"A Ucrânia precisa querer encerrar esta guerra", afirmou Trump.

O presidente americano também declarou que a Rússia está em vantagem no campo de batalha e citou a extensão dos territórios ocupados pelas tropas do ditador Vladimir Putin desde o início da invasão.

"A Rússia é uma grande máquina. Eles simplesmente continuam avançando, e foi isso que fizeram. Tomaram uma parte muito grande do território", disse.

As novas declarações ocorreram horas depois de Zelensky participar de uma reunião com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, em Oslo, na Noruega. O encontro também reuniu o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, além de representantes de países europeus e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Segundo autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters, as conversas abordaram garantias de segurança para a Ucrânia, a reconstrução econômica do país e possíveis condições para um acordo de paz com a Rússia.

Witkoff deve viajar nesta quarta-feira (21) para São Petersburgo, onde está previsto um encontro com Putin. O enviado americano levará uma proposta atualizada de negociação, elaborada após as conversas com os ucranianos e seus aliados europeus.

Apesar das críticas de Trump, Zelensky afirmou que o encontro na Noruega foi construtivo e defendeu a realização de uma reunião entre os presidentes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia para discutir o fim da guerra.

"Foi construtivo porque todos nós queremos a paz: Ucrânia, Europa e Estados Unidos. E veremos o que acontecerá amanhã", escreveu o presidente ucraniano nas redes sociais.

Durante uma entrevista coletiva em Oslo, Zelensky também anunciou que os Estados Unidos voltaram a compartilhar informações antecipadas sobre lançamentos de mísseis russos contra a Ucrânia. O serviço, segundo ele, havia sofrido interrupções nas últimas semanas, prejudicando a capacidade ucraniana de alertar a população sobre bombardeios.

"Somos gratos por essas informações estarem funcionando agora. Estou falando dos alertas antecipados, que são muito importantes para nosso povo, para as crianças, os adultos e os civis", afirmou.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo Trump tenha decidido reduzir deliberadamente o apoio à Ucrânia. Segundo ele, os atrasos no envio de armamentos estão relacionados à disponibilidade de equipamentos, principalmente dos mísseis interceptadores utilizados pelos sistemas de defesa aérea Patriot.

"Não houve nenhuma orientação política deliberada para prejudicar a Ucrânia", declarou Rubio durante uma visita à Índia nesta terça-feira.

A nova pressão de Trump ocorre após uma sequência de divergências entre Washington e Kiev. Neste mês, o presidente americano anunciou um acordo com Putin para ampliar a oferta de diesel russo no mercado internacional e suspendeu temporariamente sanções contra Moscou, sob o argumento de que precisava reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos.

Zelensky criticou as decisões e acusou Washington de favorecer economicamente a Rússia enquanto as forças de Putin continuam bombardeando cidades ucranianas.

Nesta terça-feira, novos ataques russos com mísseis e drones atingiram diferentes regiões da Ucrânia, provocando mortes e deixando milhares de moradores sem eletricidade. Segundo a agência Associated Press, pelo menos nove pessoas morreram nos bombardeios registrados ao longo do dia.

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