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Ajuda dos EUA

Trump renova pressão sobre o México após morte de narcotraficante “El Mencho”

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O presidente Donald Trump exige que o México combata o crime que assola o país e afeta os EUA (Foto: ALESSANDRO DI MEO/EFE/EPA)

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O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a exigir do México nesta segunda-feira (23) um esforço maior para combater cartéis e o tráfico de drogas, um dia após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).

O líder da Casa Branca citou uma entrevista do ex-administrador interino da Administração de Repressão às Drogas (DEA), Derek Maltz, à emissora Fox News, na qual declarou que a atual situação catastrófica do México deve servir de "alerta para o mundo sobre a traição dos cartéis mexicanos".

Trump afirmou em seu perfil na Truth Social que "o México precisa intensificar seus esforços contra os cartéis e as drogas!", algo que ele já vem falando desde o ano passado, quando seu governo lançou uma operação de combate ao narcotráfico e aos cartéis que enviam drogas para os EUA.

A inteligência americana forneceu informações relevantes para a operação deste final de semana organizada pelas forças de segurança mexicanas. Os EUA mantinham uma recompensa ativa por El Mencho, a quem acusavam de liderar um "reinado de terror" no México e destruir "inúmeras vidas" por meio do tráfico de fentanil. Eles ofereciam até 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua prisão ou condenação.

O secretário de Segurança e Proteção Cidadã, Omar García Harfuch, informou nesta segunda-feira que 25 membros da Guarda Nacional foram mortos no domingo durante os violentos confrontos que abalaram diversos estados após a morte do narcotraficante. Ele acrescentou que a operação resultou na morte de pelo menos 30 membros do cartel alvo dos agentes.

Foram registrados 27 ataques contra as forças de segurança, seis dos quais ocorreram em Jalisco (oeste do México), onde 25 soldados, um guarda prisional e um membro da Procuradoria-Geral do Estado foram mortos. Além disso, em Michoacán, estado vizinho de Jalisco, houve 15 ataques armados nos quais 15 membros das forças de segurança estaduais e locais ficaram feridos.

Por dentro da operação que resultou na morte de El Mencho

A operação militar mexicana que culminou na morte do narcotraficante El Mencho foi resultado de um processo de inteligência complexo no qual, segundo o governo mexicano, informações fornecidas pelos EUA permitiram localizar o criminoso e prendê-lo após um confronto armado.

Um dos pontos-chave da operação foi o monitoramento por meses de uma companheira do líder do cartel. O criminoso foi localizado na última sexta-feira em uma propriedade na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, oeste do país, região considerada um reduto histórico do CJNG.

A inteligência militar também identificou uma de suas parceiras românticas no local, que deixou o complexo um dia antes da operação, enquanto El Mencho permaneceu com sua equipe de segurança. Nesse momento, foi tomada a decisão de realizar a operação militar para capturá-lo.

A operação, liderada pelo Exército Mexicano, com a participação da Guarda Nacional e forças especiais, contou com apoio aéreo de seis helicópteros e vários aviões.

O objetivo de toda a operação era "conseguir o elemento surpresa e tomar a iniciativa", segundo afirmou o Secretário de Defesa, sem fornecer detalhes sobre o número exato de militares envolvidos na operação.

A Força Aérea confirmou a presença de El Mencho no local, contra quem havia dois mandados de prisão por atuação no crime organizado. Ao detectar a presença militar, o grupo armado que acompanhava o líder do cartel abriu fogo num ataque descrito como "muito violento", que foi repelido pelas forças mexicanas. Oito envolvidos no tiroteio foram mortos e três soldados ficaram feridos.

Após a troca inicial de tiros, o traficante e sua equipe de segurança fugiram para uma área arborizada, onde se esconderam na vegetação rasteira. Militares os localizaram e estabeleceram um perímetro para impedir sua fuga.

Ao se verem encurralados, abriram fogo novamente contra a Guarda Nacional e o pessoal das Forças Armadas, num ataque que atingiu um helicóptero do Exército, que foi alvejado e forçado a fazer um pouso de emergência numa instalação militar próxima.

Finalmente, após uma intensa troca de tiros, os militares repeliram este segundo ataque armado, ferindo El Mencho e dois de seus guarda-costas. Na operação, as forças de segurança apreenderam diversas armas, incluindo lançadores de foguetes RPG de fabricação russa, o mesmo modelo usado em 2015 na queda de um helicóptero que causou a morte de sete soldados mexicanos.

Após a prisão do narcotraficante, ele foi levado para um centro médico em Morelia (Michoacán), mas acabou morrendo antes de chegar ao local devido à gravidade dos ferimentos, segundo explicou o General Trevilla.

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