
Bogotá - O presidente Álvaro Uribe, apoiado pela maioria dos colombianos por suas vitórias sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mostra-se de mau humor ultimamente quando é questionado sobre se quer um terceiro mandato. "Próxima pergunta, amigo", disse Uribe, ao rechaçar a pergunta de um repórter da BBC, durante uma recente entrevista na Europa.
A resistência de Uribe a acabar com as dúvidas mantém a Colômbia ocupada há muitos meses. O presidente, apesar disso, diz preferir que os eleitores decidam sobre o tema.
O Senado colombiano, dominado pela situação, deve votar na terça-feira proposta sobre um referendo para decidir se Uribe pode concorrer pela terceira vez consecutiva à presidência. Um caminho similar culminou com a reeleição de Uribe em 2006.
Desta vez, porém, o advogado de 56 anos tem menos probabilidades de êxito.
Apoiado pelos Estados Unidos, Uribe mantém um alto índice de aprovação nas pesquisas. Atribui-se a ele a grande queda nas taxas de homicídios e sequestros e a limpeza das estradas do domínio dos guerrilheiros. Porém, sua fama de "presidente teflon", que não vê sua popularidade prejudicada pelos problemas, sofreu reveses nos últimos meses.
A lista é longa. Entre as más notícias está o escândalo de mais de 1.600 civis mortos pelas forças de segurança nos últimos cinco anos. Na maioria dos casos, as forças oficiais disseram que os assassinados eram rebeldes de esquerda derrubados em combate. A Promotoria colombiana investiga essas mortes.
Outro revés foi o colapso, em novembro, de esquemas de pirâmides financeiras, sobre os quais não havia regulação suficiente por parte do governo. Houve milhares de lesados por esses esquemas que prometiam juros astronômicos em pouco tempo, mas começaram a quebrar. A maioria das vítimas era de colombianos de baixa renda
Soma-se à lista de escândalos a revelação de que políticos, juízes e jornalistas eram espionados pelo Departamento Administrativo de Segurança. Esse departamento é diretamente vinculado à presidência.
Houve ainda a revelação recente de que os dois filhos de Uribe, Tomás e Jerónimo, investiram em terras cujo valor se multiplicou quando o governo fez da região uma zona franca. Funcionários da administração Uribe são acusados de tráfico de influência no caso.
O índice de aprovação do presidente chegou a 85%, após o resgate da franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial, das mãos das Farc. Atualmente, uma recente sondagem da empresa Gallup aponta 68% de aprovação ao presidente
Para a realização do referendo, é necessário somente mais uma votação no Senado. Caso a convocação do referendo seja aprovada no Congresso, a consulta popular deve ainda ser ratificada pela Corte Constitucional.



