O Vaticano pediu nesta sexta-feira (19) que os governos de todo o mundo descriminalizem a homossexualidade, mas disse que é resolução da ONU sobre o assunto foi longe demais.
O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse que a delegação da Santa Sé explicou a posição na quinta-feira na Organização das Nações Unidas (ONU), criticando as palavras usadas no texto, defendido pela Europa, que enaltece a descriminalização da homossexualidade.
"A Santa Sé continua a defender que todo sinal de discriminação injusta contra as pessoas homossexuais deve ser evitado, e pede aos Estados que retirem as penalidades legais contra elas", afirma o texto da delegação, divulgado na página do Vaticano na Internet (www.vatican.va) nesta sexta-feira.
"Ao mesmo tempo, a Santa Sé lembra que as palavras dessa declaração vão muito além do que mencionamos acima."
O Vaticano apontou para as categorias de "orientação sexual" e "identidade de gênero" no texto, dizendo que "isso criará uma séria incerteza na lei" - no que pareceu ser uma referência à conhecida preocupação do Vaticano com o casamento gay.
O observador permanente do Vaticano na ONU, o arcebispo Celestino Migliore, já havia alertado que o texto defendido pela Europa poderia levar a uma discriminação inversa contra o casamento heterossexual.
"Se for adotado, podem ser criadas novas e implacáveis discriminações", disse Migliore a uma agência católica de notícias da França. "Por exemplo, Estados que não reconheçam as uniões do mesmo sexo como um matrimônio serão expostos ao ridículo e sofrerão pressões."
A Igreja Católica prega que os atos homossexuais são pecado, ainda que a homossexualidade em si não o seja. Ela se opõe ao casamento gay e, em outubro, um alto membro do Vaticano chamou a homossexualidade de "um desvio, uma irregularidade e uma ferida."
Os defensores do texto europeu destacam que a homossexualidade ainda é motivo para punição legal em 77 países, sendo um crime passível de pena capital em sete deles. A lista inclui Irã, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen.
Um comunicado em oposição, defendido por países árabes e lido na ONU na quinta-feira pela Síria, afirma que o texto europeu poderia levar à "normalização social, e possivelmente à legitimação, de muitos atos deploráveis como a pedofilia".
Lombardi disse à Reuters que o Vaticano também não apóia esse comunicado.



