
O padre Paolo Liu Honggang foi ordenado bispo da Diocese de Datong, na província chinesa de Shanxi, nesta segunda-feira (31). A nomeação, realizada pelo Papa Leão XIV em 10 de agosto, segue os critérios do acordo provisório entre a Santa Sé e o governo de Pequim. O evento marca a sexta consagração episcopal do atual pontificado, reforçando a estratégia de diálogo entre a Igreja e o regime chinês.
Quem é o novo bispo Paolo Liu Honggang e qual sua trajetória?
Nascido em 1970 na província de Shanxi, Paolo Liu Honggang possui uma sólida formação acadêmica e religiosa em instituições chinesas. Ele estudou nos seminários de Fenyang e Pequim, onde obteve o título de bacharel em teologia. Ordenado sacerdote em 1996, Liu acumulou experiência como pároco em diversas localidades antes de assumir a função de administrador diocesano de Datong em 2005. Sua ascensão ao episcopado é simbólica por ter sido processada inteiramente durante o atual pontificado de Leão XIV, sinalizando estabilidade nos ritos de sucessão da região.
Como funciona o acordo entre o Vaticano e a China para a escolha de bispos?
O Acordo Provisório, firmado originalmente em 2018 e renovado até 2028, busca resolver um impasse histórico. Na prática, o governo chinês propõe candidatos através de assembleias locais, mas o Papa detém a autoridade final para aprovar ou rejeitar os nomes. Esse mecanismo visa unificar a comunidade católica no país, que por décadas esteve dividida entre a igreja oficial, controlada pelo Estado, e a clandestina, fiel a Roma. Embora o conteúdo total do texto seja sigiloso, ele garante que nenhuma nomeação ocorra sem consulta mútua, mantendo a comunhão com o sucessor de Pedro.
Qual é a situação atual das relações diplomáticas e religiosas na região?
A Santa Sé e a China não possuem relações diplomáticas formais desde 1951, após a ascensão comunista liderada por Mao Tsé-tung. A expulsão do núncio apostólico na época gerou um rompimento que perdura até hoje. Atualmente, a estratégia do Vaticano foca na regularização da vida pastoral em vez de alianças políticas formais. Com a ordenação de Liu, já são 17 bispos consagrados sob a vigência do acordo iniciado no pontificado anterior, demonstrando que, apesar da ausência de embaixadas, o diálogo religioso avança para cobrir dioceses que estavam vacantes ou sem reconhecimento civil.
Houve outras mudanças recentes na organização da Igreja na China?
Sim, o pontificado de Leão XIV tem sido marcado por ajustes geográficos e administrativos importantes. Além de novas ordenações em regiões como a Mongólia Interior, o Papa realizou a supressão de dioceses antigas, como Xuanhua e Xiwanzi, para criar a Diocese de Zhangjiakou, adaptando a estrutura eclesiástica às subdivisões civis modernas da China. O reconhecimento civil de bispos ordenados anteriormente também faz parte desse processo, indicando que Pequim está aceitando integrar prelados que antes atuavam na clandestinidade ao sistema oficial de associações patrióticas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





