
Washignton - A governadora do Alasca, Sarah Palin, aceitou oficialmente o cargo de vice-presidente da chapa republicana ontem em discurso em Dayton, Ohio. Diante da platéia entusiasmada, ela se apresentou como a mulher que levará adiante a conquista histórica da senadora Hillary Clinton.
"Foi incrível que Hillary Clinton tenha deixado 18 milhões de rachaduras no telhado. Contudo, parecia que as mulheres não haviam chegado lá", disse, em referência aos 18 milhões de votos que a ex-pré-candidata democrata a primeira mulher com chances reais à Presidência recebeu nas primárias. "Agora, podemos quebrar este telhado de uma vez por todas", completou, ovacionada pelo público.
Apresentada por John McCain como "a parceira perfeita para trabalhar por aqueles que precisam, contra a corrupção e as políticas falidas do passado, Palin pode ser um ótimo reforço para conquistar o eleitorado feminino, em especial as eleitoras de Hillary que continuam inconformadas com sua derrota para Barack Obama.
Desconhecida no cenário nacional, Palin usava um chamativo broche da bandeira americana e subiu ao palco não apenas para aceitar o convite de McCain, mas para se apresentar aos eleitores e ao mundo.
Petróleo
Palin se disse "honrada" por ter sido escolhida para ser a candidata a vice-presidente pelo Partido Republicano. Em entrevistada gravada antes e exibida ontem pela emissora CNBC, ela disse ser favorável à volta da exploração de petróleo na Reserva Nacional do Ártico, no Alasca. "É a hora de destrancar essas reservas e permitir que os competidores venham e comecem a fluir essa energia ao mercado doméstico," ela disse.
Segundo ela, a área é pequena, com dois mil acres, e a exploração de petróleo terá pouco impacto sobre a vida selvagem e o meio ambiente.
A escolha de uma mulher pode complicar o cenário para os democratas, que passaram as últimas semanas tentando se unificar ao redor de Obama e superar a frustração com a derrota da senadora Hillary Clinton. Ela perdeu para Obama após uma dura disputa nas primárias, em meio a reclamações dos seus partidários de que a disputa foi injusta porque apenas metade dos votos das primárias anuladas do Michigan e da Flórida foram contados.
"É óbvio que esse é um cálculo para conquistar os eleitores insatisfeitos de Hillary, que poderão fazer a diferença nas eleições" de 4 de novembro, disse Susan Carroll, professora de ciências políticas e estudos sobre a mulher na Universidade Rutgers, Nova Jersey. "Eu acredito que isso trouxe uma questão real à situação."
A seleção de uma mulher veio de um partido que obteve menos sucesso que os democratas em conquistar o eleitorado feminino. Desde a década de 1980, as mulheres tendem a votar mais nos democratas, enquanto os homens tendem a favorecer os republicanos, de acordo com a cientista política Ruth Mandel, diretora do Instituto Eagleton de Políticos, em Rutgers.
"Um padrão consistente na eleição presidencial é que as mulheres tendem a votar mais nos democratas", disse Mandel. "A diferença tem sido de cinco pontos a nove pontos porcentuais, a favor dos democratas. Se isso mudar neste ano, será uma mudança em um padrão que se mantém há um quarto de século."



