
Vítimas de abusos sexuais cometidos por padres fizeram ontem uma manifestação no Vaticano, exigindo que o Papa Bento XVI libere a divulgação dos arquivos sobre clérigos católicos pedófilos em todo o mundo e destitua imediatamente de suas funções sacerdotais todos os religiosos envolvidos com pedofilia.
Quatro líderes da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres (Snap), dos EUA, ergueram fotos deles mesmos quando crianças e cartazes pedindo a abertura de informações sigilosas.
"Eu peço ao Papa que abra os arquivos da Congregação da Doutrina da Fé e entregue todas as informações à polícia", afirmou Barbara Blaine, presidente da Snap. Ela se referia ao departamento no passado chefiado por Bento XVI na época em que ele era cardeal. O departamento é responsável pelo julgamento de casos de abuso sexual na Igreja. "Eu também peço a ele que envie uma ordem pública a bispos em todo o mundo no sentido de que todos os padres predadores devem ser afastados de seus cargos imediatamente", acrescentou.
O especialista em Vaticano Marco Politi declarou à rede BBC que, com a série de denúncias de abusos sexuais contra crianças cometidos por religiosos católicos, o Papa poderá ser obrigado a divulgar os arquivos secretos do Vaticano.
"O Papa está numa encruzilhada e terá de abrir os arquivos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé se quiser ser coerente com a transparência que defende", disse Politi à filial da rede britânica no Brasil.
A pressão sobre o Vaticano aumentou ontem depois que o jornal The New York Times divulgou reportagem na qual afirma que importantes autoridades da igreja, incluindo Joseph Ratzinger (hoje Papa Bento XVI), então chefe da Congregação para Doutrina da Fé, teriam ignorado casos de abuso sexual cometidos pelo padre Lawrence Murphy contra cerca de 200 menores surdos nos Estados Unidos.
Em resposta ao diário norte-americano, Federico Lombardi, porta-voz da igreja, disse que, quando o Vaticano tomou conhecimento dos casos de abuso, a saúde do padre estava bastante comprometida e que, por isto, o julgamento foi suspenso. Murphy morreu quatro meses depois, em 1996.



