Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Sistema eleitoral

Voto para presidente é direto, mas quem decide é o Colégio Eleitoral

Obama e Romney lutam para conquistar a maioria dos 538 delegados que indicarão o futuro morador da Casa Branca

Panfleto do movimento Tea Party, crítico da reforma da Saúde | Jessica Rinaldi/Reuters
Panfleto do movimento Tea Party, crítico da reforma da Saúde (Foto: Jessica Rinaldi/Reuters)

A cada quatro anos, sempre que os Estados Unidos realizam eleições para presidente, uma expressão é repetida com frequência pelos principais candidatos e pelos participantes de suas campanhas para estimular o eleitorado: "Todo voto conta". Para a contagem geral dos votos, a declaração é verdadeira; para o desfecho da eleição, nem sempre. Isto porque a eleição nos EUA não é direta.

Considerado confuso por­­ muitos e criticado por alguns­­ especialistas, o sistema de eleição por meio do Co­­légio Eleitoral nos Estados Unidos será posto à prova novamente em 6 de novembro. Para ser declarado presidente do país, é preciso que o candidato conquiste a maioria entre os 538 membros do Colégio Eleitoral, sem que necessariamente tenha sido o vencedor no voto popular.

Número mágico

O presidente Barack Oba­­ma, do Partido Democrata, e seu rival Mitt Romney, do Partido Republicano, lutam para chegar ao "número mágico" de 270 delegados no Colégio, que garante a presidência.

A divisão dos delegados e dos distritos eleitorais por eles representados é feita proporcionalmente à população dos estados. Um estado populoso como a Califórnia tem 55 delegados, enquanto Estados com população menor, como Vermont e Delaware, têm apenas três.

Uma importante regra é que, na maioria dos estados, o vencedor no voto popular leva todos os votos correspondentes àquele estado. Isso significa que, se um candidato vence com 50,1% ou com 99% dos votos, ele terá os mesmos 100% dos delegados. As únicas exceções a essa fórmula são Maine e Nebraska, onde os votos dos delegados são distribuídos de acordo com o número de distritos em que um candidato tiver obtido a maioria dos votos.

Polêmica

O aspecto mais polêmico é a possibilidade de o resultado do Colégio Eleitoral, dependente do peso de cada estado na disputa, não corresponder à vontade da maioria do eleitorado. Nos anos de 1876, 1888 e 2000, o favorito da população como um todo não foi aquele que o sistema eleitoral colocou na Casa Branca.

Em 2000, a Suprema Corte determinou que a recontagem no estado da Flórida fosse interrompida, o que resultou na vitória do republicano George W. Bush sobre o democrata Al Gore no Colégio Eleitoral, apesar de o democrata ter conseguido meio milhão de votos a mais que o adversário na votação popular.

Decisão dos deputados

Já em 1824, havia divisão política e nenhum dos candidatos conseguiu o número necessário para vencer no Colégio Eleitoral. Nes­­se­­ caso, a Câmara dos Re­­pre­­sen­­tantes determina o vencedor. Naquela ocasião foi escolhido o secretário de Estado John Adams, e não o preferido dos eleitores, o senador Andrew Jackson.

As eleições ocorrem no­­ dia 6, mas somente em 17­­ de dezembro o Colégio Elei­­toral apontará formalmente o presidente.

Ganho político para Obama com reforma da saúde divide opiniões

Agência Estado

Diante da crise financeira mundial, a economia foi sem dúvida o assunto mais discutido durante a campanha americana. No entanto, uma outra questão recebeu amplo espaço no debate nacional: a reforma do sistema de saúde. Em junho deste ano, a Suprema Corte dos EUA considerou constitucional a reforma da saúde lançada pelo presidente Barack Obama e aprovada pelo Congresso. No entanto, o ganho político em cima desse tema divide opiniões.

A nova lei, conhecida como Obamacare, cria um sistema universal de saúde e está prevista para entrar em vigor em janeiro de 2014 Em termos gerais, obriga todos que vivem nos EUA a ter um plano de saúde, sob pena de multa. A estimativa é que o plano incluirá no sistema cerca de 30 milhões de americanos que não têm qualquer cobertura de saúde. As famílias com renda mais baixa vão receber ajuda do governo para bancar os custos. A ideia de Obama é tornar o acesso à assistência médica no país mais igualitária.

"A questão do plano de saúde tem um peso no bem-estar social, e (o candidato republicano à presidência) Rom­­ney passa insegurança às pessoas nessa questão", disse Marcelo Zorovich, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM-SP. Ele acredita que esse debate pode render proveito político e votos para Obama. "Para o americano rico, esse assunto não importa muito, pois ele vai continuar pagando o seu plano de saúde. Mas, para quem não tem nada, significa bastante."

Já para Michael Shifter, presidente do Diálogo Inte­­ramericano, um centro de­­ estudos com sede em Wa­­shing­­ton, o presidente não foi bem ao explicar o chamado Obamacare. "Ele não convenceu os americanos de que isso é muito importante", afirmou. Portanto, para Shifter, a reforma do sistema de saúde lançada por Obama talvez não renda votos significativos ao presidente.

Os republicanos taxaram­­ a proposta de Obama de "ditatorial", e Romney che­­gou a prometer que seu primeiro ato, caso conquiste a presidência, será "repelir o Oba­­macare". O problema, porém, é que Romney implementou um sistema idêntico em Massachusetts, onde foi governador, inclusive abrangendo o ponto mais polêmico do Obamacare, a obrigação de que todos os cidadãos tenham um plano de saúde. O candidato republicano mudou de posição alegando que o plano era bom para o Estado, mas não deveria ser imposto ao país.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.