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Invasão do Capitólio, xamã Jacob Chansley
Jacob Chansley, o “xamã QAnon”, caminha calmamente por corredor do Capitólio cercado de policiais. Dois deles o escoltaram e até tentaram abrir portas trancadas para ele, mostram novas imagens liberadas pelo presidente da Câmara americana.| Foto: Câmara dos Deputados dos Estados Unidos / Fox News

Novas imagens de 6 de janeiro de 2021, quando o prédio do Capitólio (sede do Congresso americano) foi vandalizado e invadido por apoiadores de Donald Trump, levantam dúvidas sobre aspectos do incidente. Nos vídeos, alguns manifestantes são vistos tirando fotos no interior do prédio, entre eles o notório “xamã QAnon” Jacob Chansley, que é escoltado pacificamente por dois policiais legislativos e agradece à polícia “por permitir que entrássemos no prédio” em uma oração com megafone no local. Nove policiais ao todo estavam nas imediações e não pareciam preocupados com a presença do manifestante.

Chansley, veterano da Marinha, virou a face pública do protesto por sua indumentária excêntrica: um chapéu de pele com chifres, rosto pintado com as cores da bandeira, sem camisa com uma mochila, e portando uma lança com a bandeira hasteada. Em novembro de 2021, ele foi condenado a 41 meses de prisão. Ele confessou participação em tentativa de obstruir a contagem dos votos do Colégio Eleitoral que deu vitória a Joe Biden. Autor de dois livros, ele acredita que os Estados Unidos são influenciados por uma conspiração de pedófilos satânicos, especialmente da política e de Hollywood, que tirariam uma substância do sangue de crianças para prolongar sua vida (ideia conhecida como “QAnon”), e que a TV e o rádio emitem “frequências inaudíveis” capazes de controlar o cérebro. Ele próprio se identifica como xamã.

As imagens foram mostradas nesta segunda (6) à noite no programa de Tucker Carlson na Fox News. O jornalista ganhou acesso a 40 mil horas de registros das câmeras de segurança pelo novo presidente da Câmara Kevin McCarthy, do Partido Republicano. Quando ocorreu a invasão, a presidente da casa era Nancy Pelosi, do Partido Democrata.

Para Tucker Carlson, as novas imagens, que mostram os policiais aparentemente tentando abrir uma porta trancada para o xamã, “demolem” a alegação de que os atos no Capitólio foram uma “insurreição”. “Controlando as imagens que você tinha permissão de ver do 6 de janeiro, eles [os esquerdistas] controlaram como o público entendeu aquele dia”, opinou o âncora, para quem os vândalos eram uma minoria dos manifestantes e a maioria era “pacífica e ordeira”.

A edição do programa mostra um comentarista político que pediu que Chansley fosse baleado. Para Carlson, o manifestante “entendia que os policiais do Capitólio eram seus aliados”. “Quem é o extremista violento, aqui? Não Jacob Chansley, e o vídeo prova isso. Mas você não saberia disso com a cobertura da mídia”, conclui.

Democratas rebatem

Ritchie Torres, deputado democrata pelo estado de Nova York, disse na segunda ao canal MSNBC, de linha editorial oposta à Fox News, que considera “ultrajante” que o presidente da Câmara Kevin McCarthy tenha liberado as imagens com exclusividade para Tucker Carlson. Para ele, Carlson é “a face e a voz da negação do 6 de janeiro nos EUA”. Torres declara não ter “confiança nenhuma que Tucker Carlson vai liberar essas informações de forma responsável”.

Para Hakeem Jeffries, outro deputado democrata por NY e líder da minoria de oposição na Câmara, a comissão parlamentar que investigou a invasão do Capitólio na legislatura anterior “fez um ótimo trabalho de explicar para o povo americano o que aconteceu naquele dia fatídico durante a insurreição violenta”. Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (06), Jeffries acrescentou que a comissão usou não só imagens, mas também, “talvez até de forma mais importante”, depoimentos dos “aliados mais próximos” do ex-presidente Donald Trump, que teria “falhado em fazer qualquer coisa significativa” para impedir a invasão. “A história já foi contada, está nos registros públicos, e isso foi feito de forma bipartidária” pela comissão, concluiu o político.

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