O presidente ucraniano Viktor Yanukovich tentou ontem convencer a oposição a desistir dos protestos na rua em troca da libertação dos manifestantes presos, do fim da repressão do governo e da retomada do diálogo para assinar um acordo comercial com a União Europeia.
Pela primeira vez desde o início da crise na Ucrânia, em que 500 mil pessoas já foram às ruas pedir a saída do presidente, governo e oposição se reuniram em Kiev.
Entre os adversários de Yanukovich estavam o campeão mundial de boxe, Vitali "Punho Ferro" Klitschko, o ex-ministro da Economia Arseny Yatsenyuk e o nacionalista de extrema-direita Oleh Tyahnybok.
A reunião foi considerada um passo importante para solucionar a crise interna, mas está longe de significar um armistício. Um novo protesto contra o governo está marcado para o domingo, quando aliados do presidente prometem também ir às ruas defendê-lo. É cedo para falar em tranquilidade.
À mesa, o presidente anunciou a proposta de liberar manifestantes detidos e sugeriu que o Parlamento também discuta o tema. Ontem, pelo menos nove pessoas presas nas manifestações já haviam sido liberadas. "Devemos libertar os presos e colocar fim a esse conflito", disse, segundo comunicado do governo. A assessoria de Yanukovich não divulgou o que a oposição disse a ele (ignorou inclusive os nomes dos políticos).
Sobre o acordo com o bloco europeu, pivô da crise, o chefe ucraniano disse aos adversários que não há recusa em assiná-lo. O termo, diz, precisa ser discutido novamente porque prejudica alguns interesses comerciais do país.
"Era necessário dar uma pausa na assinatura. Nós devemos discutir esse assunto com a UE e a Rússia, encontrar uma solução em comum para proteger nossos produtos. Se nós os protegemos, protegemos nossa economia. Nós não recusamos a integração europeia", disse.
Pressionado por Moscou, Yanukovich havia se recusado a celebrar o acerto com a UE. Por causa disso, milhares têm ido às ruas pedir sua saída. A oposição crê que a aproximação da UE pode tirar o país da crise econômica.



