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Os mercados digitais de hoje são onipresentes, prometendo preços competitivos e entrega rápida. Nos últimos anos, mais consumidores têm recorrido a essas plataformas, impulsionando as vendas online e ajudando as empresas de comércio eletrônico, principalmente as chinesas, a obter lucros enormes. A China agora detém uma parcela substancial do comércio eletrônico global.
Mas seu domínio nos mercados digitais não é apenas resultado da oferta de produtos mais acessíveis e baratos aos consumidores. O Partido Comunista Chinês (PCC) subsidia injustamente empresas nacionais de comércio eletrônico, ignora normas de segurança e é o mais agressivo do mundo na prática de espionagem em escala industrial.
Por sua vez, as empresas chinesas de comércio eletrônico estão gamificando intensamente a experiência de compra, utilizando algoritmos para processar dados sensíveis dos usuários — práticas enganosas que levantam sérias preocupações éticas e de segurança nacional.
Em 2021, o Ministério do Comércio da China delineou metas de desenvolvimento do comércio eletrônico em consonância com o 14º Plano Quinquenal do país. Com o objetivo de alcançar a liderança no cenário internacional competitivo, a China agora considera o comércio eletrônico um fator-chave para impulsionar sua influência tecnológica. As parcerias público-privadas são uma das formas pelas quais o Partido Comunista Chinês (PCC) tem atuado, concedendo isenções fiscais e injetando capital para ajudar empresas chinesas a expandir suas operações de comércio digital. O objetivo parece ser proporcionar às empresas nacionais uma vantagem estrutural nos mercados globais.
As políticas industriais apoiadas pelo Estado têm diluído a linha divisória entre os domínios público e privado. Com a aprovação, em 2018, de uma lei de comércio eletrônico — a primeira regulamentação abrangente sobre negócios e comércio online —, a China ampliou o apoio estatal tanto à produção quanto à venda de produtos pela internet.
Pelo menos 10 agências governamentais incorporaram, em 2024, planos para ampliar a construção de armazéns destinados ao comércio eletrônico, aparentemente sob a direção do presidente Xi. Além disso, o Departamento de Trabalho da Frente Unida forneceu dados governamentais valiosos para ajudar empresas nacionais a refinar suas estratégias de segmentação e aprimorar suas operações logísticas no exterior. Ex-funcionários do PCC também atuaram como executivos em algumas dessas empresas.
Além disso, a China lançou zonas-piloto de comércio eletrônico, áreas transfronteiriças nas quais empresas chinesas podem se beneficiar da redução da carga tributária e receber proteção legal. Em Yancheng e Qingyuan, duas cidades que também possuem zonas-piloto, empresas chinesas receberam reembolsos de taxas relacionadas ao aluguel e à operação de armazéns. A China planeja desenvolver mais zonas-piloto, somando-se às 165 já existentes.
As empresas chinesas de comércio eletrônico estão sujeitas às leis internas da China, que podem exigir que elas entreguem, quando solicitadas, dados comerciais e pessoais sensíveis ao PCC. Nos últimos anos, o partido ampliou as bases legais para acessar dados confidenciais. Como os consumidores americanos fornecem informações pessoais ao fazer compras, essa situação representa sérios riscos à segurança nacional.
Diversos casos questionáveis envolvendo empresas chinesas e o gerenciamento de dados privados tornaram essas preocupações mais concretas.
A gigante chinesa do comércio eletrônico Temu, por exemplo, obriga os usuários a navegar por configurações de permissão confusas, o que pode levá-los a autorizar involuntariamente a coleta de dados pessoais
Um relatório do Instituto Australiano de Política Estratégica concluiu que grande parte dos dados coletados pela Temu "provavelmente será compartilhada com o sistema de propaganda [da China]".
As empresas chinesas de comércio eletrônico também possuem um histórico deplorável de violações das normas de segurança do trabalho e dos produtos. O Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos EUA sobre o Partido Comunista Chinês associou diversos produtos da Temu a programas de trabalho forçado em Xinjiang, apontando uma possível violação da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur, que proíbe expressamente as empresas de recorrerem ao trabalho forçado. Enquanto isso, a AliExpress e a Shein foram acusadas de vender produtos falsificados e perigosos, incluindo pijamas infantis feitos com materiais inflamáveis.
A tecnologia está transformando a maneira como os consumidores americanos fazem compras. Empresas estrangeiras de comércio eletrônico agora exercem maior influência sobre o comportamento dos consumidores e têm maior controle sobre seus dados, abrindo novas possibilidades para práticas abusivas.
Os legisladores americanos precisam garantir que as regulamentações acompanhem essas mudanças. As empresas estrangeiras devem ser submetidas a altos padrões de transparência e concorrência leal, que protejam os consumidores americanos e seus dados, ao mesmo tempo que garantam condições equitativas de concorrência para as empresas americanas.
Abby Rathbun foi membro do Programa de Jovens Líderes da Heritage Foundation.
Edward Owen é um ex-analista sênior de políticas do Centro de Estudos Asiáticos da Heritage Foundation.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Out for Delivery: The China Threat Comes to Your Door



