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A principal lição da Copa do Mundo não está no futebol

Brasil x Noruega
Seleção brasileira caiu nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. (Foto: Will Oliver/EFE/EPA)

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Toda Copa do Mundo deixa uma pergunta que permanece muito depois do apito final: por que equipes repletas de craques às vezes fracassam, enquanto outras, aparentemente menos talentosas, tornam-se campeãs? E isso nos leva a uma pergunta que vai muito além do futebol: o que realmente diferencia os times campeões?

Certamente, não é apenas o talento, pois equipes repletas de estrelas nem sempre levantam a taça da Copa. As seleções derrotadas também contam com atletas excepcionais. O sucesso na Copa surge quando esses indivíduos conseguem combinar excelência técnica com liderança, senso de pertencimento, empatia e capacidade de trabalhar em prol de um objetivo comum.

O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar talentos individuais em inteligência coletiva, de construir confiança, colaboração e alinhamento e de colocar competências extraordinárias a serviço de um propósito comum. No esporte, chamam isso de equipe. Na universidade, chamamos isso de comunidade.

Nenhum campeonato é conquistado apenas pelo brilho individual, assim como nenhuma sociedade se desenvolve apenas pela soma de talentos isolados

Durante muito tempo, acreditamos que o papel das instituições de ensino era transmitir conhecimento. Entretanto, em um mundo marcado pela inteligência artificial, pela automação e pelo acesso praticamente ilimitado à informação, o conhecimento está disponível em qualquer tela, a qualquer hora.

Em um cenário em que a informação se tornou abundante, o diferencial humano deixa de residir no acesso ao conhecimento e passa a residir na capacidade de interpretá-lo, conectá-lo, questioná-lo e transformá-lo em decisões, inovação e impacto para a sociedade.

A missão das universidades é promover a formação integral das pessoas por meio do conhecimento. Da mesma forma que uma equipe campeã não se constrói apenas com grandes jogadores, uma universidade de excelência não se limita à formação técnica. Ela forma cidadãos comprometidos com a ética, a responsabilidade, o propósito e o bem comum.

Nenhuma Copa ou campeonato é conquistado apenas pelo brilho individual, assim como nenhuma sociedade se desenvolve apenas pela soma de talentos isolados. O futuro pertencerá às instituições capazes de construir comunidades de aprendizagem, inovação, confiança e pertencimento.

Ao final, as maiores vitórias não acontecem apenas nos estádios da Copa. Elas acontecem quando uma sociedade consegue transformar talento em oportunidade, conhecimento em desenvolvimento e pessoas em agentes de transformação.

Essa continua sendo – e continuará sendo – a missão mais nobre da educação: transformar pessoas. Porque são elas que, quando inspiradas pelo conhecimento, pelos valores e pelo compromisso com o bem comum, transformam comunidades, regiões e o mundo.

Asdrubal Falavigna é reitor da Universidade de Caxias do Sul.

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