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Os resultados do Censo Escolar 2025 nos oferecem uma oportunidade importante de reflexão sobre os rumos da educação básica no Brasil. Os dados revelam tendências que exigem análise cuidadosa e, sobretudo, compromisso coletivo com a qualidade e a equidade educacional.
De acordo com o levantamento, em 2025 o Brasil registrou 46 milhões de estudantes matriculados em mais de 178 mil escolas públicas e privadas de todo o país. Esse número é 2,29% menor do que o registrado em 2024, o que corresponde a quase 1,1 milhão de alunos a menos no sistema educacional.
À primeira vista, essa redução indica retrocesso significativo, mas uma análise detalhada mostra que o fenômeno está associado a uma série de fatores, entre eles, a mudança estrutural da demografia brasileira.
A queda da população em idade escolar, especialmente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos, impacta diretamente o volume total de matrículas. O ensino médio foi a etapa que apresentou o recuo mais expressivo. Em apenas um ano, houve redução de 5,4% nas matrículas da rede pública, com 425 mil alunos a menos.
Se o Brasil deseja consolidar avanços estruturais, precisa assegurar não apenas vagas, mas também qualidade e permanência desde os primeiros anos de vida escolar
Embora o MEC (Ministério da Educação) aponte a melhoria na aprovação e a redução da repetência como fatores positivos, especialistas alertam que a queda indica também um abandono escolar que não pode ser ignorado. Essa reflexão é essencial para evitar conclusões precipitadas. Apesar da redução demográfica, uma parcela maior dos jovens está, de fato, frequentando a escola.
O desafio, contudo, é garantir acesso, permanência e qualidade da aprendizagem em todas as etapas, e isso exige articulação governamental, planejamento e investimentos consistentes.
Na educação infantil, os dados também apresentam sinais ambíguos. Por um lado, 2025 registrou o maior patamar histórico de atendimento em creche para crianças de 0 a 3 anos: 41,8%, aproximando-se da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), com a criação de 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas. Por outro, pela primeira vez desde o período pós-pandemia, as matrículas em creches estagnaram, totalizando 4,18 milhões – redução de 3,8% na pré-escola.
O sinal de alerta é evidente: se o Brasil deseja consolidar avanços estruturais, precisa assegurar não apenas vagas, mas também qualidade e permanência desde os primeiros anos de vida escolar. É nesse contexto que reflito sobre o papel das organizações da sociedade civil. Em 2025, a Fundação Mafre celebra 50 anos de fundação no mundo, um marco que nos convida a olhar para o futuro com responsabilidade, inovação e sensibilidade social.
No Brasil, essa trajetória se traduz na ampliação de nossa presença territorial, sempre com foco na geração de impacto social duradouro por meio da educação. Ao dialogar com escolas, educadores, estudantes e comunidades, contribuímos para a formação de cidadãos mais conscientes, responsáveis e preparados para exercer seus direitos e deveres.
Os resultados do Censo Escolar 2025 reforçam que o desafio da educação brasileira não se resume apenas à expansão do acesso. Ele passa, cada vez mais, pela qualidade das experiências educativas, pela permanência com aprendizagem e pelo desenvolvimento integral de crianças e jovens.
Ao integrar educação, prevenção e promoção da saúde em nossas iniciativas, também contribuímos para criar ambientes escolares acolhedores e propícios ao aprendizado. Assim, nosso compromisso seguirá sendo atuar de forma complementar às políticas públicas, fortalecendo redes locais e ampliando o alcance de boas práticas.
Portanto, reafirmamos nossa disposição de colaborar ativamente para que cada criança e jovem no Brasil tenha acesso a uma educação inclusiva e transformadora. Esse é o horizonte que orienta nossa atuação e que continuará guiando nossos próximos passos.
Fátima Lima é representante da Fundación Mapfre no Brasil.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







