i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Artigo

Bolsonaro e a imprensa

  • PorCarlos Alberto Di Franco
  • 08/09/2019 18:00
Bolsonaro precisou cancelou a viagem, porque começa, nesta sexta-feira (6), preparação para a nova cirurgia que vai fazer neste domingo (8).
Bolsonaro precisou cancelou a viagem, porque começa, nesta sexta-feira (6), preparação para a nova cirurgia que vai fazer neste domingo (8).| Foto: Marcos Corrêa/PR

A política brasileira está sendo sacudida por uma mudança cultural que, lá fora e aqui, está transformando e subvertendo antigas estruturas de poder. Partidos e políticos tradicionais vão sendo substituídos por outsiders. Modelos que prevaleceram por décadas entraram em colapso. O fenômeno revela o esgotamento das ideologias dominantes e uma clara mudança do pêndulo da História. Uma visão de mundo menos algemada pelo politicamente correto e mais conservadora perde a vergonha de se apresentar como alternativa.

Jair Bolsonaro, com suas virtudes, seus defeitos e seu estilo “presidente mesa de bar”, soube captar o pulsar profundo da sociedade. Sua mensagem – na política, na economia, na segurança pública, na defesa dos valores – foi ao encontro de um sentimento latente na alma nacional. Isso explica boa parte do seu desempenho. Passou como um tanque e arrasou o antigo mapa do poder: grandes partidos encolheram, velhos caciques foram pulverizados, antigas fontes desapareceram e a esquerda está literalmente no córner.

Bolsonaro tem falado demais. Produz espuma inconveniente para sua própria imagem

As redes sociais tiveram papel decisivo. Bolsonaro falou diretamente com o eleitorado. Rompeu, como nunca antes se tinha visto, a intermediação das empresas de comunicação. Agora, sentado na cadeira presidencial, continua na mesma toada. Bolsonaro está nas manchetes, nas páginas de política e nas discussões midiáticas.

Isso é ruim ou bom para o seu governo? É incompetência ou é jogada ensaiada? Será que tudo isso, aparentemente desconexo e incompreensível e até mesmo desagradável, faz parte de um jogo estudado, manifestação de uma estratégia pensada e implementada?

É cedo para chegar a uma conclusão. Creio que muitas vezes o presidente esteja esticando excessivamente a corda da sua comunicação disruptiva. Mantém sua militância unida e motivada, mas corre o risco de perder o importante capital representado por aqueles que querem mais governo e menos confronto, mais diálogo e menos conflito. O Brasil, não esqueçamos, é um país de consenso. Não foi só a roubalheira que fez água no projeto lulopetista de perpetuação no poder. Foi o cansaço provocado pela estratégia do “nós contra eles”.

A agressividade como forma de comunicação pode dar certo no curto prazo. Mas desgasta, e muito, numa perspectiva de médio prazo. Gera antipatia e acaba transferindo o controle da narrativa para as mãos dos que, espertamente, se apresentam como vítimas da comunicação metralhadora giratória. Em política, o mocinho pode virar vilão muito rapidamente. No mundo da pós-verdade o que importa não é objetividade dos fatos, mas a força emocional das percepções.

O presidente da República corre o risco de perder a batalha das percepções. A equipe montada por Jair Bolsonaro é muito superior aos ministérios da era petista. Tem gente séria trabalhando: Paulo Guedes, Sergio Moro, Tarcísio Gomes de Freitas, general Heleno, o porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, Tereza Cristina, entre outros. Não dá para comparar com ministérios de recente e triste memória. Claro, há a dúvida se os filhos se mostrarão o seu tendão de Aquiles e o risco de indevidas tentativas de interferência na Polícia Federal, no Coaf, etc. Bolsonaro tem falado demais. Produz espuma inconveniente para sua própria imagem. Mas até o momento, é justo reconhecer, o presidente não cruzou a fronteira, não feriu a lei, a constituição e o valores republicanos.

Por outro lado, o Congresso Nacional tem trabalhado surpreendentemente bem. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem atuado com competência e habilidade. As reformas avançam e os parlamentares parecem mais cônscios de sua responsabilidade histórica.

É preciso analisar o atual governo com serenidade. Estou, a cada dia que passa, evitando pendurar etiquetas simplistas numa realidade que parece complexa. Tenho procurado pensar e refletir. Com esforço de compreensão da realidade, com cabeça aberta e sem preconceitos. Creio que precisamos fugir do jornalismo de fofoca e de polêmica superficial e mergulhar na análise dos fatos. É o modo mais eficaz para cobrir um governo inusitado.

Carlos Alberto Di Franco é jornalista.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.