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Depois da tempestade não vem a bonança

Após um breve período no qual pensamos que nossos problemas haviam sido resolvidos, os dados nos mostraram que ainda vamos sofrer um pouco

  • Leonardo Palhuca
 
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Semanalmente o Banco Central divulga o Relatório Focus, que compila as principais previsões macroeconômicas feitas por bancos, corretoras e consultorias. E desde o fim de setembro começamos a ver certa piora nas expectativas de crescimento da economia brasileira, tanto para 2016 quanto para 2017.

Prever o futuro em economia é algo muito difícil e cercado de incertezas, mesmo com a enorme quantidade de dados que temos em mãos. Assim, na medida em que novas informações vão chegando, vamos adaptando nossas previsões. E, conforme a data para a qual previmos algo vai se aproximando, mais perto do número real vamos chegando.

Talvez a empolgação com o anúncio das medidas econômicas tenha sido exagerada

Com o PIB brasileiro não é diferente, e as previsões realizadas em 2016 para a atividade em 2016 e 2017 mudaram bastante ao longo do tempo com a quantidade de reviravoltas que tivemos na política e na economia brasileira. Começamos o ano de 2016 prevendo que o PIB cairia 3% neste ano e subiria 1,5% em 2017. Com a turbulência política, ambas as previsões foram se deteriorando e chegamos a pensar que o PIB de 2016 cairia 3,9% e que em 2017 ficaríamos estagnados (+0,2%). Isso obviamente ocorreu no auge da crise política, com toda a incerteza que também pairava no cenário econômico.

E então três acontecimentos mudaram drasticamente os rumos das projeções de crescimento econômico: o afastamento temporário de Dilma Rousseff, a aprovação do impeachment no Senado Federal e o anúncio da PEC 55 (ex-PEC 241).

Com o afastamento de Dilma, uma coisa ficou clara: a insistência na política econômica fadada ao fracasso estava com os dias contados e as expectativas de crescimento melhoraram substancialmente. Com a confirmação do impeachment pelo Senado, as projeções de crescimento para 2016 saltaram de -3,8% para -2,9%. Para 2017, saíram de +0,3% para +1,4%. A euforia com a troca de governo, o anúncio da nova e qualificada equipe econômica e o lançamento de um plano para estancar a crise fiscal deixaram todos empolgados.

Mas os dados econômicos começaram a ser divulgados e toda a empolgação começou a dar lugar à resignação. Os dados de atividade econômica do terceiro trimestre continuaram ruins, mesmo com a troca de comando do país. Consumidores não foram às compras, empresários relutaram em investir e a atividade seguiu se retraindo – mesmo que a um ritmo mais lento.

Assim, por ora temos projeções para que a economia brasileira se retraia 3,4% em 2016 e cresça 1% em 2017. Tal deterioração recente das projeções nos trouxe de volta às previsões feitas no momento imediatamente posterior ao anúncio da PEC do Teto. Após um breve período (mais precisamente, entre junho e setembro) no qual pensamos que nossos problemas haviam sido resolvidos, os dados nos mostraram que ainda vamos sofrer um pouco e voltaremos a crescer de forma tímida.

Talvez a empolgação com o anúncio das medidas econômicas tenha sido exagerada. Mas é assim que as projeções são feitas, com as informações disponíveis no momento e com o futuro visto sob a nossa ótica míope, enviesada pelo sentimento de mudança. Entretanto, estamos com previsões mais otimistas que as feitas no começo do ano, mas ainda piores do que desejamos para a economia.

Leonardo Palhuca é mestre em Economia pela Albert-Ludwigs-Universität Freiburg e editor do site Terraço Econômico .

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