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Saúde do rim: prevenção começa antes da diálise

(Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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A doença renal crônica é considerada hoje um dos principais desafios silenciosos da saúde pública. Ela evolui de forma lenta, quase sempre sem sintomas nas fases iniciais, e costuma ser descoberta apenas quando já há perda significativa da função dos rins, momento em que as opções terapêuticas se tornam mais complexas. Por isso, falar em prevenção significa falar em diagnóstico precoce, acompanhamento regular e controle rigoroso de fatores de risco antes que um tratamento se torne necessário.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, mais de 150 mil pessoas realizam diálise no Brasil, número que cresce anualmente. Estimativas da International Society of Nephrology indicam que cerca de 10% da população mundial apresenta algum grau de doença renal crônica. Grande parte dessas pessoas desconhece o diagnóstico, o que evidencia a importância do rastreio.

A doença renal crônica pode ser identificada por meio de exames simples e acessíveis. A dosagem de creatinina no sangue permite estimar a taxa de filtração glomerular; já a análise de urina detecta a presença de proteína, um dos primeiros sinais de dano renal.

Diretrizes internacionais também recomendam que pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade ou histórico familiar realizem acompanhamento periódico para avaliar a saúde dos rins. Esses grupos concentram maior risco e se beneficiam de intervenções precoces. O controle adequado da pressão arterial e da glicemia também está diretamente associado à redução da progressão da doença. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de preservar a função renal por mais tempo.

Vale destacar que a prevenção não depende apenas do sistema de saúde. Ela começa com hábitos cotidianos: reduzir o consumo de sal, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física e evitar o uso frequente de anti-inflamatórios são medidas que contribuem para proteger os rins.

Além disso, a integração entre atenção primária e especialistas é essencial. A maior parte dos pacientes com fatores de risco é acompanhada na rede básica.

O debate sobre saúde renal costuma ganhar destaque quando se fala em hemodiálise ou transplante, tratamentos fundamentais que salvam vidas diariamente. Empresas de tecnologia médica já desenvolveram máquinas de diálise com tecnologia de ponta, que apoiam quem precisa desse tipo de tratamento. Ainda assim, a estratégia mais eficaz continua sendo evitar que o paciente chegue a essa etapa.

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O diagnóstico precoce amplia o tempo de cuidado clínico, reduz complicações cardiovasculares e melhora a qualidade de vida. Também contribui para aliviar a pressão financeira sobre o sistema de saúde, já impactado pelo crescimento das doenças crônicas.

Mudar o cenário da doença renal no Brasil passa por incorporar a prevenção como prática regular. Exames simples, acompanhamento contínuo e informação acessível podem transformar o percurso do paciente. A diálise representa uma solução terapêutica importante, mas o diagnóstico precoce oferece a oportunidade de preservar a função renal e ampliar perspectivas de futuro.

Douglas Gemente é médico nefrologista e especialista em diálise, e Conrado Pithon é gerente da unidade de negócios Diálise da B. Braun Brasil, multinacional alemã de soluções médico-hospitalares.

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